Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de abril de 2020
No cenário de crise sem precedentes desenhado pela pandemia de coronavírus, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que as instituições financeiras nacionais estão preparadas para evitar uma “quebradeira” de negócios no Brasil. Depois de o setor ter sido criticado pela lentidão na liberação de recursos, o executivo disse que os bancos já começaram a fazer empréstimos mais rapidamente. ‘Esse é o momento de sobrevivermos à crise’, diz presidente do Itaú Unibanco
“Nenhum banco tem interesse de que uma empresa quebre. Este é o pior cenário. Os bancos são os mais interessados em organizar a vida das pessoas”, disse Lazari, na quarta-feira, 15, ao participar da série de entrevista Economia na Quarentena, do jornal O Estado de S. Paulo. O presidente do Bradesco afirmou que, além de repassar dinheiro oficial a pequenas e médias empresas, o sistema financeiro está pronto para auxiliar também segmentos muito afetados pela crise, como as empresas de energia e as companhias aéreas.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
– Há uma grande crítica aos bancos sobre o represamento de liberação de crédito, sobretudo para as pequenas e médias empresas. Muitos empreendedores dizem que esse dinheiro não chega na ponta. Isso procede? “Não é verdade. De março para cá, os compulsórios liberados pelo Banco Central para o Bradesco somaram R$ 23 bilhões. Neste período, o Bradesco fez mais de R$ 34 bilhões de operações, muito mais que o Banco Central liberou de recursos. Os recursos sim estão chegando na ponta. O que aconteceu, logo no início da crise, foi uma busca desenfreada por liquidez. Comparo isso ao movimento das pessoas que logo no início da crise entraram nos supermercados querendo comprar 100 litros de álcool gel sem necessidade. O Bradesco tinha uma média de demanda de R$ 2 bilhões no banco de atacado e, em alguns dias, chegamos a R$ 20 bilhões. Naquele momento, entendemos que não deveríamos liberar toda a liquidez para as grandes empresas porque nós temos de atender os pequenos e médios empresários, que precisam pagar folha e fornecedores.”
– Neste momento, o sr. acha que os bancos têm de aplicar as mesmas regras que tinham para fazer os financiamentos de antes ou ser mais complacentes para deixar as empresas sobreviverem, pelo menos no curto prazo? “Quando conversamos com o Banco Central e o BNDES, identificou-se que tínhamos de atingir as empresas que faturam mais de R$ 360 mil a R$ 10 milhões por ano. No Bradesco, temos mais de 54 mil empresas que fazem folha de pagamento e estão enquadradas nesta faixa. Empregam 1,4 milhão de assalariados. Cerca de 92% das folhas de pagamento que o Bradesco paga tiveram crédito pré-aprovado. Das 54 mil empresas, de 6 mil a 7 mil já tomaram esse crédito e outras estão em conversas.”
– Teremos um espectro maior de empresas falindo ou entrando em recuperação judicial depois da crise? “Ainda é muito cedo para dizer. Não está acontecendo ainda. Por enquanto estamos falando de 30 a 40 dias de uma crise mais severa, então ainda não se observa esse comportamento. Nenhum banco tem interesse de que uma empresa quebre. Este é o pior cenário. Os bancos são os mais interessados em organizar a vida das pessoas. Antes da crise, mais de 90% das operações do Bradesco já estavam sendo feitas remotamente pelo celular. Vamos sair mais virtual desta crise? Não tenho dúvidas disso. Chegava a 94% – e o só não fazemos mais porque, em alguns casos, ainda é necessária autenticação. E tem outras lições. No ano passado, começamos a fazer uma experiência de home office bem tímida, com poucos trabalhadores. Hoje, com a crise, 92% das pessoas do banco, excluindo agência, estão trabalhando de casa. Hoje, nossas agências são parte dos serviços considerados essenciais. Diferentemente de 2008, quando os bancos foram considerados causadores da crise, hoje somos parte da solução da crise.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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