Domingo, 04 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia No mundo rico, a inflação atingiu os níveis mais altos em décadas

Compartilhe esta notícia:

Juro médio para financiamento de veículos foi de 2,10% em abril, o equivalente a 28,32% ao ano. (Foto: EBC)

Com o maior juro real entre 40 economias emergentes e ricas, o Brasil continuará sujeito ao arrocho monetário até haver um claro recuo da inflação, avisou o Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). O juro real, diferença entre a taxa básica e a inflação prevista, está em cerca de 8%. Crédito caro será um dos entraves enfrentados pelo presidente eleito, no início de mandato, na tentativa de impulsionar o crescimento econômico e a expansão do emprego. Depois de 12 altas consecutivas, o BC interrompeu os aumentos e manteve em 13,75% a taxa básica de juros, a Selic, na reunião concluída ao anoitecer de quarta-feira. Dois dos nove membros do comitê defenderam mais um ajuste de 0,25 ponto porcentual. Embora vencidos na deliberação final, também sua atuação pode valer como advertência: ninguém deve esperar para breve um afrouxamento.

O Copom prometeu, ao anunciar a decisão sobre os juros, manter sua política até atingir dois objetivos, o recuo da inflação para perto da meta e a ancoragem das expectativas do mercado. O compromisso foi acompanhado de uma advertência: o comitê “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste, caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

Entre os sinais de perigo foi incluída, como em comunicados anteriores, a incerteza sobre o futuro do “arcabouço fiscal”, isto é, das contas públicas. Também foi mencionada a insegurança quanto a novos estímulos fiscais – como despesas e cortes de impostos – destinados a estimular o mercado. As medidas eleitoreiras com impacto nas contas do próximo ano já estão, obviamente, incluídas no cenário do BC. Falta conferir como o presidente eleito cuidará das finanças do governo, especialmente diante das perspectivas de uma forte desaceleração econômica no próximo ano.

A advertência está feita: juros altos serão mantidos enquanto a inflação for resistente, um novo aumento continua possível e a equipe do próximo governo, se tiver juízo, levará a sério a mensagem do Copom.

Também o quadro externo deverá dificultar um afrouxamento monetário no Brasil. No mundo rico, a inflação atingiu os níveis mais altos em décadas. O desarranjo dos preços tem contagiado a maior parte do mundo, incluído o Brasil. Além disso, os bancos centrais das maiores economias iniciaram a elevação de juros para frear a alta de preços. Isso afeta as condições globais de financiamento, altera os fluxos de capitais e mexe no câmbio, favorecendo, por exemplo, a valorização do dólar.

Na última semana, antes de terminar a reunião do Copom, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou a elevação dos juros básicos para a faixa de 3% a 3,25%, com alta de 0,75 ponto porcentual. No dia seguinte o Banco da Inglaterra adicionou 0,5 ponto aos juros, aumentando-os para 2,25%. No dia 8 o Banco Central Europeu (BCE), depois de vários anos de política expansionista, havia alterado sua taxa principal de zero para 0,75%.
Diante desse quadro, os membros do Copom terão de ser especialmente cuidadosos no manejo da taxa básica de juros, principalmente se quiserem diminuir o arrocho. Poderão aumentar a taxa mais uma vez, se os preços continuarem muito desarranjados, mas até isso será complicado, se a atividade continuar insegura.

No mercado, os mais otimistas têm previsto redução dos juros a partir do segundo trimestre. Talvez estejam certos, mas o espaço de ação poderá ser muito limitado pelas condições financeiras internacionais e pelo câmbio. Qualquer decisão será perigosa, se provocar insegurança entre investidores e resultar em dólar sobrevalorizado. As avaliações dos investidores, convém ressaltar, dependerão também da condução das contas públicas. Os arroubos e improvisações do presidente Jair Bolsonaro têm sido grandes fatores de insegurança e de instabilidade cambial.

A inflação continuará influenciada pelas condições internacionais. O belicismo do presidente Vladimir Putin ainda causará problemas para o Copom. Mas já haverá uma alteração positiva, no Brasil, se o seu governo se mostrar menos tolerante e simpático aos surtos agressivos do dirigente russo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Retornando após 285 dias, Jhonata Robert ganha atenção especial no Grêmio
Porto Alegre encerra neste sábado vacinação aos finais de semana e feriados
Pode te interessar