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Mundo Nos Estados Unidos, fundador do WikiLeaks é alvo de 17 acusações criminais que somadas podem resultar em 175 anos de prisão

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ulian Assange ganhou liberdade após 12 anos de batalha judicial. (Foto: Reprodução)

A Justiça britânica acatou um recurso do governo norte-americano para que Julian Assange, fundador do Wikileaks, seja extraditado. Nos Estados Unidos, o australiano de 50 anos é alvo de 17 acusações criminais que, somadas, podem resultar em uma pena de 175 anos de prisão.

Em janeiro, um tribunal de primeira instância do Reino Unido havia negado o pedido, alegando preocupações com a saúde mental de Assange, que corria o risco de se suicidar, caso fosse extraditado. No entanto, é improvável que a decisão de ontem seja o fim da saga do australiano, uma vez que há recursos para contestar o veredicto.

Em comunicado, a noiva do australiano, Stella Morris, disse que sua equipe jurídica apelaria “o mais rapidamente possível”. “Como pode ser justo extraditar Julian para o próprio país que conspirou para matá-lo?”, questionou Morris.

Garantias

O juiz Timothy Holroyde, que acatou o recurso, disse que estava satisfeito com as garantias apresentadas pelos EUA, como a promessa de não mantê-lo em uma prisão de segurança máxima no Estado do Colorado e a transferência dele para a Austrália para que cumpra a pena.

Já a defesa de Assange, coordenada pelo ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, alega que as garantias não mudam o fato de Assange ter sua saúde mental comprometida. Ele é acusado de violar a Lei de Espionagem dos Estados Unidos. Autoridades americanas afirmam que o australiano colaborou para a obtenção e divulgação de documentos militares e diplomáticos secretos.

Assange ganhou atenção mundial em 2009, quando o Wikileaks publicou milhares de mensagens e imagens constrangedoras para o governo dos EUA. Em um vídeo, soldados americanos apareciam cometendo abusos no Iraque. Em novembro de 2010, mais de 250 mil documentos secretos revelaram detenções extrajudiciais em Guantánamo e telegramas de diplomatas que detalhavam abusos de direitos humanos em várias partes do mundo.

As denúncias tornaram Assange inimigo número 1 dos Estados Unidos, que passaram a tentar julgá-lo, acusando-o de hackear sistemas do governo americano. O australiano fez de tudo para não ser extraditado, incluindo uma fuga para a Embaixada do Equador em Londres, onde passou quase sete anos.

Após a condenação, o Wikileaks se manifestou, alegando que os EUA desejam julgar Assange por “publicar informações verídicas que revelam os crimes cometidos pelo governo americano na prisão de Guantánamo, no Iraque, no Afeganistão e os detalhes das torturas da CIA”.

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