Quarta-feira, 27 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas Nossa democracia na mira de Trump

Compartilhe esta notícia:

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A soberania está em alta, constatou o correspondente do New York Times no Brasil. Afirmá-la com estridência foi a resposta dos governantes de países contra os quais Trump ameaçou aumentar tarifas ou usar a força para exigir decisões de âmbito doméstico, como fez com o Canadá, o México, o Panamá, a Colômbia e o Brasil.

Aqui, governo e organizações da sociedade civil abraçaram a defesa da soberania – no discurso presidencial; na comunicação política oficial; em manifestações como a que enlaçou entidades representativas de numerosos setores; e o entusiasmado público que lotou a Faculdade de Direito da USP, na manhã de 25/7.

Com o passar do tempo, o presidente americano acrescentou outras “razões”, tais como o Pix; a intenção de responsabilizar as big techs por atos criminosos praticados nas redes sociais; o interesse americano por minerais críticos, para impor um tarifaço sem precedentes a todos os produtos nacionais. Mas a motivação principal do ocupante da Casa Branca estava clara desde o início: investir contra a Justiça brasileira em represália ao fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro ser acusado por crimes contra a democracia e o Estado de Direito.

No limite, a afronta à independência do Estado nacional visa agredir o sistema democrático no Brasil. Este, em passado recente, mostrou força e resiliência diante dos reiterados ataques do ex-presidente contra as instituições eleitorais e o resultado das urnas, conspirando para fulminá-lo com um golpe de Estado.

O gesto de Trump, embora abominável, tem lógica e propósito: destruir o sistema representativo nos Estados Unidos e dar força aos que contra ele conspiram aqui e pelo mundo afora. Como observou a escritora Anne Applebaum em seu último livro, publicado no Brasil como “Autocracia S.A”, hoje em dia governos autoritários trabalham juntos para manter-se no poder e promover globalmente seus sistemas de dominação.

É sempre bom lembrar que a soberania não é um valor absoluto, o que tornaria ilegítima qualquer pressão externa. Tampouco são claros seus limites na vida real. Sua defesa, aqui e agora, tem servido para preservar a democracia da aliança obscurantista entre extremistas de direita de dentro e de fora do país. Mas não raro foi utilizada como escudo por governos que perseguem opositores e usam a força para limitar a liberdade de seus cidadãos.

Levado ao pé da letra, o respeito ao princípio da soberania não permitiria as sanções impostas à África do Sul, ao tempo do apartheid; ou à Venezuela de Maduro, que forjou resultados eleitorais e persegue opositores; tampouco justificaria as pressões do então presidente americano Jimmy Carter sobre o governo militar brasileiro pelo fim da tortura aos opositores, nos anos 1970; ou a discreta – e bem-vinda – gestão do governo Joe Biden para lembrar aos altos escalões militares os custos envolvidos na aventura golpista de Bolsonaro.

Hoje, a soberania está em alta no país, permitindo que em seu nome se juntem brasileiros de diferentes afinidades políticas, isolando a direita radical aliada do trumpismo. Mas, se a derrocada da democracia é o alvo dos extremistas de várias nacionalidades, sua defesa poderá demandar, em algum momento, o apoio e pressão de aliados externos.

(Maria Hermínia Tavares – Professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – Cebrap)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

7 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
João Souza
31 de julho de 2025 21:47

A grande maioria dos professores no Brasil são comunistas, desde os tempos de estudantes, principalmente das universidades públicas. COMUNISTA NOJENTA. Vai pra Cuba !!!!

José Costa
31 de julho de 2025 11:29

Em se tratando de uma Professora de Filosofia e Ciências Humanas da USP, não poderíamos esperar um posicionamento diferente. Temos um total desgoverno em nosso país. Rombos absurdos nas estatais, a Constituição sendo pisoteada por quem deveria protegê-la, inocentes sendo perseguidos da forma mais absurda possível, mentiras sendo colocadas como verdades e verdades sendo manipuladas. Em que planeta a senhora está? O Trump está fazendo aquilo que eu faria se no lugar dele estivesse. A diferença é que eu tentaria fazer mais rápido do que ele está fazendo. Sempre respeitei os meus professores, mas professores que praticam a ideologia que… Leia mais »

Anderson Cardoso da Silva
31 de julho de 2025 17:05

A plataforma de tramandai não caiu com do ciclone Trump , porque os engenheiros se formaram na PUC

Adalberto Meneguzzi
31 de julho de 2025 12:58

blá-blá-blá de socialista!

Carlos Santana
31 de julho de 2025 13:28

Nossa ditadura na mira de todo o mundo.

Fernando Krause
31 de julho de 2025 14:39

A professora deveria discorrer sobre os motivos que levaram os democráticos EUA a tomar tal atitude contra o Brasil. Eis alguns deles: – o alinhamento do antissemita lulopetismo com ditadores e terroristas, inclusive dentro do próprio BRICS, onde a Venezuela e o Irã participam, além da tentativa do governo brasileiro desmoralizar o Dólar nas transações do bloco. Lembrando que o cumpanhero ditador “socialista” Maduro tem recompensa de captura de US$ 25 MI. por ser considerado chefe de cartel internacional do narcotráfico. – a compra de diesel da Rússia, que está “fazendo caixa” para que o ditador Putin continue atacando a… Leia mais »

Anderson Cardoso da Silva
31 de julho de 2025 17:02

Democracia , se vc falar contra qualquer coisa ..vc vai preso..

Conta de Moraes pode expor banco a Magnitsky
Senador Hamilton Mourão: “Temos um problema, e Lula precisa resolver”
Pode te interessar
7
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x