Quarta-feira, 20 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de agosto de 2017
A subprocuradora da República Raquel Dodge, sucessora de Rodrigo Janot no comando da PGR (Procuradoria-Geral da República), afirmou que se reuniu com o presidente Michel Temer na noite de terça-feira (08) para discutir a agenda de sua posse no cargo, em setembro.
“O presidente indagava sobre a data e horário possível para a minha posse, pois precisa viajar para os Estados Unidos no dia 18 de setembro, segunda, para fazer a abertura da Assembleia Geral da ONU no dia 19. O mandato do procurador-geral da República termina no dia 17, domingo”, disse Dodge. “Por esta razão, a posse será de manhã, em vez do final da tarde”, afirmou.
Dodge esteve no Palácio do Jaburu, em Brasília, por volta das 22h de terça-feira. O encontro não constava na agenda oficial de Temer. O Palácio do Planalto confirmou a informação de Dodge sobre o motivo da conversa. Ela foi indicada por Temer para assumir o cargo de procuradora-geral da República. O seu nome foi aprovado pelo Senado. Ela foi a segunda colocada na lista tríplice em eleição realizada pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).
Caberá a Dodge comandar todo o trabalho da PGR, incluindo as investigações da Lava-Jato. O presidente Temer foi denunciado por Janot por corrupção passiva, sob acusação de ser o beneficiário de uma mala de R$ 500 mil da JBS entregue a seu ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures. A Câmara dos Deputados barrou o andamento da denúncia na semana passada.
O peemedebista é alvo de mais duas investigações na PGR: uma por obstrução de Justiça e outra por organização criminosa. A expectativa é que ele seja denunciado até o fim do mandato de Janot.
Tradição
Ao anunciar o nome da procuradora para substituir Rodrigo Janot, Temer quebrou a tradição de indicar o nome mais votado na lista tríplice enviada pela ANPR ao Palácio do Planalto. A lista é elaborada por meio de eleição interna entre os membros da ANPR. Raquel Dodge recebeu 587 votos e foi a segunda mais votada na lista, atrás do atual vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, que recebeu 621 votos.
Desde o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), apesar de não ser obrigado, o chefe do executivo indica para o cargo o nome mais votado da lista. Foi assim nos dois mandatos de Lula e ao longo dos cinco anos e quatro meses em que Dilma comandou o Palácio do Planalto (2011-2016).
Em maio de 2016, quando assumiu a Presidência da República, Temer disse que manteria a tradição de escolher o nome mais votado na lista tríplice. Dino, que foi o mais votado pelos integrantes do MPF, era o candidato preferido de Janot na eleição interna. Além disso, ele é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que faz oposição ao governo Temer. (AG)
Os comentários estão desativados.