Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
17°
Fair

Brasil Novo medicamento, geralmente usado em casos de hepatite C, é testado contra a febre amarela

Nesta fase inicial, a oferta está sendo feita por meio do uso compassivo. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

O aumento de casos de febre amarela no Estado de São Paulo desencadeou uma série de ações para buscar meios de tratar a doença e produzir avanços na identificação de áreas que podem ser atingidas pelo vírus. Depois dos transplantes de fígado em pessoas que desenvolveram a forma grave da doença, realizados no Hospital das Clínicas e na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), pacientes de São Paulo e de Minas Gerais começaram neste mês a receber tratamento com um remédio para hepatite C, técnica que será estudada por pesquisadores dos dois Estados para ver se é possível começar a tratar a doença utilizando medicamentos.

A febre amarela não tem tratamento específico. “Percebeu-se que o vírus da febre amarela é do mesmo grupo do vírus da hepatite C, que se beneficiou muito com o tratamento. A primeira possibilidade foi avaliar se era possível fazer a mesma coisa com o vírus da febre amarela”, explica o secretário de Estado da Saúde, David Uip.

Nesta fase inicial, a oferta está sendo feita por meio do uso compassivo. “É quando um laboratório consente em usar o remédio para outra definição, o pesquisador acha que vai dar certo e o paciente e seus familiares permitem que isso seja feito. Está ocorrendo neste mês de janeiro em alguns hospitais do Estado de São Paulo e também de Minas Gerais. Percebeu-se que isso pode ser uma alternativa e isso está sendo transformado em protocolo de pesquisa”, diz Uip.

Segundo ele, todas as fases do protocolo clínico voltado para o uso desses medicamentos para casos de febre amarela serão realizadas, como os testes e a análise pela Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), mas o objetivo é que haja agilidade na pesquisa. “Todas as etapas serão respeitadas.” O estudo será realizado pela Universidade de São Paulo, pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas e por um hospital de Minas.

Até o momento, já foram realizados seis transplantes de fígado em pacientes com a doença e um deles, de Campinas, morreu. “Isso é inusitado, é a primeira vez que se faz no mundo. O Hospital das Clínicas já fez cinco transplantes e a Unicamp fez um. Temos São José do Rio Preto apto a fazer transplantes e outros centros que também farão. Talvez estejamos diante de uma possibilidade de curar a hepatite fulminante (causada) pelo vírus da febre amarela.”

O mapeamento dos corredores ecológicos, levando em consideração as áreas de matas existente e em reflorestamento, foi considerada uma medida inédita. “Isso se mostrou correto, porque, quando chegou em Mairiporã, nós já estávamos prevendo chegar a essa região pela pesquisa com os corredores ecológicos. Foi uma descoberta inédita, é um trabalho muito importante que vai ser publicado na Science, uma das revistas mais prestigiadas do mundo, porque é uma descoberta nova em relação a como caminha a febre amarela fora da região endêmica normal dela”, diz Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da pasta.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Um terremoto no Equador matou uma menina de 12 anos
O governo admitiu entrave na comunicação da reforma da Previdência. Ministro destacou “guerrilha de desinformação”
Deixe seu comentário
Pode te interessar