Sexta-feira, 02 de outubro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Novo remédio testado no Brasil promete solução contra a covid

Compartilhe esta notícia:

Chamado de Interferon lambda peguilado, o medicamento reduziu pela metade as chances de um paciente com a doença ser hospitalizado. (Foto: Reprodução)

Cientistas do Brasil e Canadá podem ter descoberto um remédio que promete ser a “bala de prata” contra formas graves da covid. Denominado “Interferon lambda peguilado”, o medicamento reduziu pela metade as chances de hospitalização de pacientes com a doença, mostrou eficácia para anular todas as variantes do coronavírus e pode ser mais prático e barato que outros fármacos já utilizados.

Os resultados apareceram após ensaios clínicos de fase 3 realizados de 2021 a 2022 e publicados neste mês na revista científica “The New England Journal of Medicine”, uma das mais importantes da área.

– A pesquisa foi feita com 2 mil voluntários que testaram positivo para Covid e foram atendidos na rede pública de saúde com sintomas leves a moderados. Desses, 84% estavam vacinados;

– No Brasil, mais de 30 cidades participaram do estudo (a maioria em Minas Gerais);

– 931 pacientes receberam uma dose de Interferon lambda e outros 1.018 receberam placebo;

– A redução nas hospitalizações foi de 51% entre pacientes que receberam Interferon e estavam vacinados.

O estudo foi coordenado pelo brasileiro Gilmar Reis, professor de medicina da PUC Minas e associado da Universidade McMaster (Canadá), que vem apostando em pesquisas de medicamentos que atuam no sistema imunológico do paciente para frear a Covid, o que é uma ação diferente de outros remédios já existentes no mercado, como o Paxlovid da Pfizer.

“A Covid-19 trouxe uma quebra de paradigmas no tratamento de infecções virais do trato respiratório. O vírus mostrou que hoje nós podemos combater de forma eficiente as complicações de uma infecção respiratória utilizando medicamentos que atuam no sistema imunológico e na inflamação”, disse Reis em entrevista ao portal de notícias G1.

O professor é um dos líderes do ensaio clínico Together, que já avaliou 11 remédios diferentes em pacientes contaminados não-hospitalizados. Foi a equipe dele que ajudou a desmentir, no início da pandemia, a informação de que a hidroxicloroquina era eficaz contra a doença.

Questões

1. O que é o Interferon lambda?

É um medicamento experimental, sintético, desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Eiger para estudos clínicos na África contra os vírus causadores das hepatites B, C e D.

O Interferon lambda é composto por uma única injeção, aplicada na região do umbigo, e busca ‘turbinar’ a resposta imune do corpo para infecções virais por vias áreas.

Reis conta que pediu à farmacêutica para testar o remédio em pacientes com Covid e que a autorização veio “de uma maneira totalmente desinteressada” por parte da empresa detentora da patente. Mas os resultados dos testes em voluntários surpreenderam:

– O Interferon lambda se mostrou mais eficiente em pacientes que receberam o medicamento três dias após o início dos sintomas: redução de 65% nas chances de internação e de 81% no risco de morte;

– Entre pacientes não vacinados, a redução de risco de morte foi de 89%;

– Pacientes com alta carga viral no início dos sintomas e que tomaram o remédio apresentaram cargas virais mais baixas após o sétimo dia, na comparação com quem tomou placebo.

Na época do estudo clínico, várias variantes circularam no Brasil, e o remédio se mostrou eficiente contra todas – inclusive a ômicron e suas subvariantes, atualmente predominantes no mundo.

2. Como o remédio atua no organismo?

Os interferons são um grupo de proteínas produzidas pelo organismo. Quando o corpo é invadido por um vírus, elas emitem uma espécie de “alerta” para células vizinhas se fortalecerem.

– Os interferons atuam diretamente na resposta imunológica, aumentando a capacidade de destruição de vírus e bactérias pelo próprio corpo;

– A ‘família’ de interferons é composta por vários tipos e subtipos, batizados por letras do alfabeto grego;

– O alfa, por exemplo, é comercializado no Brasil para tratamento de tipos de câncer e hepatites crônicas;

– No caso do lambda, a atuação acontece nos tecidos epiteliais, localizados principalmente na parte respiratória, a porta de entrada do Sars-Cov-2 para o organismo.

“O coronavírus desliga determinados genes e faz com que o corpo produza pouco Interferon lambda. Por algum motivo, esse é um dos mecanismos pelo qual o vírus impede a defesa do nosso organismo”, afirma Gilmar Reis, professor de medicina da PUC Minas e coordenador do estudo. As informações são do portal de notícias G1.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Conheça os navios de guerra do Irã ancorados no Rio e que têm gerado divergência entre Brasil e Estados Unidos
No Senado, enviado especial dos Estados Unidos para o clima discute pauta ambiental e parcerias com o Brasil
Pode te interessar