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Economia Número de agências bancárias no Brasil cai 36% em dez anos

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638 municípios ficaram sem agência bancária desde 2015, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas. (Foto: Valter Campanato/ABr)

Os bancos digitais e as fintechs transformaram a forma como os brasileiros lidam com o dinheiro. Segundo levantamento feito com base em dados do Banco Central (BC), o número de agências bancárias no País caiu 36% em dez anos, indo para pouco mais de 14 mil.

De acordo com cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), realizado com registros do BC, 638 municípios ficaram sem agência bancária desde 2015, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas. Ao todo, são 2.649 cidades sem agências, o equivalente a 48% do total, ante 36% dez anos atrás.

Entre as causas da redução do número de agências, Priscila Marques, advogada especializada em Direito Bancário e do Consumidor, aponta o corte de custos.

“A diminuição drástica das agências físicas no Brasil se dá em função da necessidade de cortar custos operacionais e impulsionar a migração massiva de todos os clientes para os canais digitais, facilitando, assim, o uso das ferramentas disponibilizadas por cada banco, gerando economia de custos operacionais, como funcionários, aluguéis e outras demandas para as instituições, além de automatizar as operações que são realizadas pelos próprios clientes”, explica a advogada.

A tecnologia e o surgimento de fintechs também colaboraram para o fenômeno, indica o economista e professor da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio Ricardo Macedo.

“A situação da redução do número de agências está muito associada à tecnologia, por conta dos aplicativos, do surgimento das fintechs e do uso do Pix”, afirma. “A tecnologia tornou-se ainda mais evidente durante a pandemia, quando esse processo se intensificou. Os bancos acabaram aproveitando esse formato, pois houve um aumento da produtividade no setor”, ressalta o professor.

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira Pinto, critica o fechamento de agências. “Compreendemos que os bancos têm lucro que permite um melhor atendimento aos clientes e à população e que, portanto, não é necessário o fechamento desse grande número de agências”, frisa. “Os bancos têm tido foco somente em melhorar, a cada ano, os resultados, e os direitos dos clientes são desprezados. Em alguns casos, há bairros e regiões que ficam sem nenhuma agência.”

De acordo com ele, o município do Rio perdeu mais de mil postos de trabalho no setor.

“Houve uma redução nos postos de trabalho de 1.041 vínculos no Município do Rio de Janeiro, segundo os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), de 16.896 para 15.855 trabalhadores nos bancos. Uma redução de -6,2%.”

A Febraban informou que não possui dados oficiais sobre a abertura e o fechamento de agências. As informações são do jornal O Dia.

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