Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de janeiro de 2023
De alguns anos pra cá, abrir uma conta em uma instituição financeira se tornou uma tarefa bem mais simples no Brasil. Com poucos cliques em um aplicativo, pessoas conseguem se tornar clientes não só de bancos digitais, como também dos bancos “tradicionais” e até de corretoras de investimentos. A concorrência no sistema financeiro cresceu e as empresas passaram a oferecer cada vez mais serviços e facilidades aos seus clientes, a fim de captar mais usuários. O resultado disso foi um aumento relevante no número de contas bancárias que cada pessoa tem.
Segundo dados do Banco Central, em outubro de 2022 (informação mais recente disponível), os brasileiros tinham, em média, 5,2 relacionamentos ativos (leia-se contas) com diferentes instituições do Sistema Financeiro. Para se ter uma ideia do crescimento, há 10 anos, esse número mostrava uma média de 2,1 contas por pessoa e, mesmo até o fim de 2018, esse índice era de apenas 2,4 contas. Mas afinal, quais são as consequências dessa multiplicação de contas para a vida financeira das pessoas?
Por um lado, a existência de mais concorrência e facilidades na hora de acessar o sistema financeiro barateia e melhora alguns dos serviços oferecidos. Afinal de contas, os bancos e corretoras precisam oferecer vantagens para serem escolhidos pelos seus clientes. Especialmente em um cenário que permite que o usuário troque de banco em um pulo (ou em alguns cliques). Por outro lado, porém, há quem se enrole com tantas contas para cuidar.
A diretora comercial Thaís Alcântara está na estatística de brasileiros com muitos relacionamentos bancários. Tudo começou quando ela ainda era estagiária e, a cada novo emprego, precisava abrir conta em um banco diferente. A burocracia para encerrá-las quando mudava de trabalho a impediu de fechar algumas delas. Umas permanecem paradas até hoje e outras “caducaram”, diz. Recentemente, com o surgimento dos bancos digitais, Thaís optou por se cadastrar em algumas dessas instituições, de acordo com as vantagens que cada uma oferece.
No Banco Inter, por exemplo, ela concentra sua conta de pessoa jurídica. “Era mais vantajoso, porque não tinha taxas”, diz. A conta do Santander, mais antiga, continua ativa porque Thaís considera que o banco oferece “o melhor aplicativo”, além de ela ter conquistado benefícios por ser uma cliente antiga. Na XP Investimentos, ela reúne parte de suas aplicações financeiras. Porém, a executiva também abriu conta na corretora Warren, após eles oferecerem uma promoção em um investimento. “Como o rendimento lá é bom, mantive até hoje”. E não para por aí. Thaís ainda tem outras contas que servem para funcionalidades específicas. “Uso o PicPay para pagar coisas no Pix quando não tenho dinheiro em conta, por exemplo”, diz.
Questionada se ela já se enrolou por ter tantos relacionamentos bancários, ela afirma que só aconteceu uma vez, quando cadastrou uma conta em débito automático, mas a função não funcionou e ela só percebeu depois. “Quando vi, era tarde e paguei juros”, diz. A executiva destaca, no entanto, que é muito organizada com suas finanças. “Faço um controle numa planilha, com tudo o que entra e sai. Sempre tive muito claro os meus limites e faço bom uso do cartão de crédito, aproveitando milhas e pontos”, afirma.
Mas nem todo mundo consegue a mesma façanha. Adriene Barbosa, analista de recursos humanos, tem uma história parecida com a de Thaís. No começo de sua vida profissional, precisou abrir diferentes contas a cada novo emprego. Com o “boom” dos bancos digitais, ela virou cliente de instituições que ofereciam serviços mais vantajosos ou baratos. Porém, o acúmulo de diferentes contas (que, no caso de Adriene, vão desde os “bancões” tradicionais até Nubank, C6 e PicPay) acabou atrapalhando a analista a se organizar financeiramente.
“A grande questão é que, depois de um tempo, tudo virou uma bola de neve. Eu tinha e usava vários cartões de crédito. Às vezes, eu usava algum que tinha um limite baixo para fazer uma compra específica e me esquecia de pagar. Quando eu via, estava com dívida. Acabei me enrolando nesse sentido”, diz. Segundo Adriene, já aconteceram situações de “usar um cartão de crédito para pagar a fatura de outro”, o que a jovem considera “um círculo vicioso”. A saída, conta, foi criar um controle em uma planilha.
Por isso, por mais que a facilidade em criar contas em diferentes instituições traga mais autonomia e permita que os clientes explorem o melhor de cada uma, essa possibilidade vem carregada de responsabilidades e de uma gestão mais ativa das finanças. As informações são do jornal Valor Econômico.
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