Sexta-feira, 24 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 16 de abril de 2026
A advogada e professora de pós-graduação em Direito da Mulher Thais Cremasco liga o avanço dos casos de feminicídio e violência contra meninas à falta de regulação das redes. “O algoritmo é machista e encoraja homens a serem violentos”, diz ela ao jornal O Estado de S. Paulo. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
– A senhora acha que o recrudescimento das leis pode ser o caminho para reduzir os crimes? “Nós temos leis robustas. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil tem a terceira maior legislação sobre violência contra a mulher do mundo. Para mim, está muito claro que não existe ausência de legislação, mas uma cultura que protege homens que praticam violência contra a mulher, sejam eles feminicidas, violadores ou pedófilos.”
– Como deter o aumento da violência contra meninas? “Temos uma sociedade que só pune depois de o crime acontecer. Temos de ter estratégias de prevenção. Dar atenção às crianças órfãs do feminicídio é importante? Claro que é. Mas o objetivo deveria ser que nenhuma mulher seja morta. Precisamos de um sistema que não mate mulheres. O erro não é a falta de leis ou punições. O problema é termos uma cultura que protege e beneficia homens que violentam e matam mulheres.”
– Há também aumento real do número de ocorrências. Por quê? Qual o papel das redes sociais? “Vivemos numa cultura que perpetua a violência contra a mulher. E as redes sociais aglutinam as pessoas que pregam o discurso de ódio. Há também um movimento de backlash, ou contra-ataque, que ocorre todas as vezes que uma estrutura social oprimida tenta se salvar. No caso das mulheres, há uma ampliação da misoginia, desse ódio contra as mulheres, porque elas não aceitam mais a violência como outrora. Eu tinha dito que temos muitas leis e é verdade. Mas essa é uma lei que falta: criminalizar a misoginia e o discurso de ódio contra as mulheres na internet. Porque isso faz com que os homens se sintam encorajados a cometer novas violências.”
– A misoginia e o discurso de ódio nas redes é cada vez maior? “A gente fala muito em violência algorítmica. Como todo o sistema lucra com a violência contra a mulher, as plataformas entregam muito mais vídeos que criticam mulheres ou que romantizam mulheres servis e obedientes. O algoritmo é machista, na maior parte das vezes feito por homens, e reproduz violências. Há ainda as plataformas sem filtro.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!