Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2024
Ex-ministro da ala militar de Jair Bolsonaro, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos é um dos poucos integrantes do núcleo duro do governo passado que não está implicado nas investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado.
O motivo, segundo ex-ministros de Bolsonaro, é que Ramos foi isolado pelo então presidente no seu último ano de governo e quase nunca era chamado para reuniões estratégicas. A aliados, Ramos admite que, na ocasião, ficou “chateado” com a atitude de Bolsonaro de escanteá-lo, mas, depois das investigações, mostrou certo alívio com o distanciamento forçado e resumiu o episódio como “livramento” e “proteção”.
Ramos entrou no governo em 2021 como ministro-chefe da Casa Civil e chegou a ser um dos quadros mais próximos de Bolsonaro, mas, depois, foi deslocado para a pasta da Secretaria-Geral, quando o então presidente abriu espaço para o centrão em seu governo.
Pessoas próximas ao general relatam que ele não tem mantido contato com os ex-colegas de Esplanada que são investigados pela PF.
Silêncio
Em outra frente, o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), ficou em silêncio no depoimento à Polícia Federal (PF), na quinta-feira, 22, mesmo querendo falar, segundo a defesa dele. Nessa sexta-feira, 23, um pedido de novo depoimento foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O motivo de ter ficado calado foi a ausência do advogado Eduardo Kuntz durante o depoimento. O defensor não acompanhou a oitiva por estar acompanhando outro cliente, Tércio Arnaud, também assessor de Bolsonaro, que depôs na mesma investigação. A PF ouviu os investigados simultaneamente para evitar a combinação de versões.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a PF disse que Câmara compareceu no horário em que foi “intimado com antecedência regulamentar”, às 14h30. Entretanto, por estar sem a companhia do advogado, solicitou o adiamento da oitiva para as 16h30. No novo horário, “novamente apresentou-se sem advogado”.
“Foi facultado a ele prestar depoimento sem assistência advocatícia, o que ele optou por não fazer e decidiu ficar em silêncio. Em seguida, assinou o termo”, informou a corporação, por nota.
Segundo Kuntz, Câmara deixou claro que não queria ficar em silêncio, mas que só falaria na presença do advogado. Câmara teria sido levado de volta à prisão por volta das 18h, enquanto o depoimento do outro cliente só terminou às 19h45. O advogado afirmou ter sido enganado, porque recebeu a informação de que poderia acompanhar o depoimento dos dois clientes.
Em nota, o advogado diz que Câmara “foi coagido a permanecer em silêncio, sem o devido acompanhamento da sua defesa técnica”. Segundo Kuntz, a Comissão de Prerrogativas da Seccional Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já foi acionada sobre o caso.
Conforme o pedido para prestar novo depoimento feito pela defesa de Câmara, o investigado tem intenção “de colaborar com as investigações e com a correta elucidação dos fatos, respondendo a todas as perguntas possíveis”. Ainda segundo a nota, um pedido pela liberdade provisória de Câmara aguarda apreciação desde o dia 14. As informações são dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo.
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