Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de dezembro de 2019
O Brasil vai assinar em breve um memorando de entendimento para participar da iniciativa América Cresce (Growth in the Americas), programa de investimentos em setores estratégicos na América Latina, lançado pelos Estados Unidos para competir com a Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative ou, informalmente, nova rota da seda), da China. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Argentina, Chile, Jamaica e Panamá já entraram oficialmente no programa americano, e o Peru está em processo. No Brasil, o governo aguarda apenas um parecer jurídico no Ministério da Economia. O América Cresce deve focar investimentos em infraestrutura e, especialmente, energia e telecomunicações.
Os EUA não especificam quanto o programa vai oferecer de financiamento; dizem apenas que o objetivo é ajudar os países da região a atrair investimento privado para setores prioritários e que vão usar recursos e assistência técnica de diversas agências do governo americano.
Uma das agências envolvidas no programa, a Corporação Internacional de Financiamento para o Desenvolvimento, foi criada no fim do ano passado pelo governo de Donald Trump para substituir a antiga Corporação para o Investimento Privado no Exterior (Opic) e tem a missão de financiar projetos estratégicos para a política externa dos Estados Unidos.
A corporação teve seu orçamento elevado pelo Congresso para US$ 60 bilhões (R$ 244 bilhões), com o objetivo de servir de contraponto à expansão dos investimentos chineses no mundo, principalmente em telecomunicações, e brecar o aumento da influência global exercida pelo gigante asiático.
O governo chinês tem expandido seus investimentos em infraestrutura na América Latina e oferece habitualmente financiamento do Banco Chinês de Desenvolvimento (BCD), do EximBank chinês e de bancos estatais, com juros subsidiados.
De acordo com estudo de Kevin Gallagher, da Universidade de Boston, o BCD mantém um portfólio de US$ 332 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em empréstimos internacionais, 50% maior do que o montante de empréstimos do Banco Mundial.
Uma das grandes preocupações do governo americano é a expansão da gigante chinesa Huawei como fornecedora de infraestrutura para o 5G, a próxima geração de telefonia, que é dez vezes mais rápida do que a atual e é essencial para o avanço de carros autônomos e projetos de inteligência artificial.
O leilão de 5G no Brasil deve ocorrer no fim de 2020.
Os EUA pressionam para que o Brasil barre a Huawei do fornecimento, afirmando que ela representa uma ameaça à segurança nacional, porque compartilha informações com o governo chinês. A empresa nega.
Os chineses oferecem o pacote mais barato na comparação com os concorrentes (Ericsson e Nokia), dão financiamento barato e podem retaliar o Brasil em áreas importantes, caso sejam excluídos do fornecimento.
O governo dos EUA proibiu agências federais e empresas americanas de negociar equipamentos de 5G com a Huawei.
Por enquanto, sob pressão dos americanos, só a Austrália vetou a empresa chinesa, em julho do ano passado, enquanto a Nova Zelândia impediu operadoras de comprar seus equipamentos, citando riscos à segurança da rede, algo que também ocorreu no Vietnã e no Japão.
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