Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de setembro de 2018
Entre os países da América Latina, o Brasil é o mais vulnerável à crise na Argentina, segundo análise do UBS. O banco suíço verificou a correlação entre os contratos de CDS (espécie de seguro contra calote) argentino e os de Brasil, México, Chile, Peru e Colômbia. No caso brasileiro, a correlação foi de 66%. As informações são do jornal Valor Econômico.
“Em outras palavras, parece haver um risco de contágio na região, especialmente no Brasil, o que se soma às atuais incertezas políticas antes da eleição presidencial do próximo mês”, diz o UBS em relatório assinado pelos estrategistas Alan Alanis e Sambuddha Ray.
A correlação do CDS da Argentina com os contratos semelhantes do Chile é de 57%, sendo 48% no caso da Colômbia, 44% no Peru e 43% para o México.
Em termos de comércio externo, a ligação dos países latinos com a Argentina é menor. O mais exposto é o Brasil, onde as vendas para a Argentina são 8,1% das exportações. Na sequência aparecem Chile (1,4% das exportações), Colômbia (0,7%), México (0,4%) e Peru (0,4%).
Entre as empresas, quem tem maior exposição à crise é a chilena AES Gener, com 35,1% das receitas geradas na Argentina. A brasileira mais exposta é a Ambev, que têm 22,1% das suas receitas no país.
O UBS afirma ainda que o retorno em dólares do índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, tende a ser “maravilhoso” ou “desastroso”. Em 2017, teve o melhor desempenho global, com alta de 72%, mas este ano está “desastroso”, com queda de 53% até agora. “Estamos longe de ver um ponto de entrada atrativo”, alertam os analistas, acrescentando que as incertezas políticas devem aumentar, à medida que se aproximam as eleições do próximo ano, e que a recente depreciação cambial deve impulsionar a inflação e fazer com que a economia continue desacelerando.
Pior momento
À espera de uma antecipação de parte do empréstimo no valor de US$ 50 bilhões do FMI (Fundo Monetário Internacional), a Argentina vive o pior momento da gestão do presidente Maurício Macri, deixando aceso o sinal de alerta no Brasil, já que o país vizinho é o terceiro maior parceiro comercial atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Dados do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), de janeiro a agosto deste ano, os argentinos consumiram 7,28% das exportações brasileiras, uma alta de 1,11%, comum saldo favorável ao Brasil de US$ 4,28 bilhões. A avaliação é do economista Jackson De Toni, gerente de Planejamento e Inteligência da ABD (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).
Apesar de toda essa situação, “não há motivo para pânico”, disse De Toni à Agência Brasil. Ele observou que, mesmo diante de um cenário de austeridade que, certamente, levará a uma queda do consumo interno, o país vizinho tende a fechar 2018 com crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre 1% e 2%.
E se o aporte de recursos do FMI for concretizado como o esperado, De Toni acredita que isso dará maior credibilidade sobre a capacidade de pagamentos por parte da Argentina ainda que isso custe caro à população e ainda careça de estratégias para retomar o crescimento.
Quanto ao impacto sobre o Brasil que exporta para a Argentina, principalmente, automóveis, – o correspondente à quase metade da pauta de exportações e com uma participação de 75% sobre as vendas das montadoras para todo mundo –, De Toni prevê que ele será mais concentrado neste segmento.
Para o economista, o Brasil tem fatores de proteção como, por exemplo, reservas cambiais de quase US$ 400 bilhões. A Argentina tem US$ 50 bilhões. Citou ainda a forte desvalorização do peso argentino em meio a um ataque especulativo resultando em uma inflação de 40% ao ano ante uma variação entre 4 a 5%, no Brasil, e a consequente elevação dos juros de 45% para 60% ao ano, muito acima da taxa brasileira oscilando em torno de 6,5%.
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