Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 23 de setembro de 2018
Um cavalo. O Brasil é um cavalo que precisa de um ginete com luvas de seda, cintura de borracha e pernas de ferro. A comparação do País com um animal foi feita na quinta-feira, em palestra em Catanduva, interior paulista, pelo general reformado Antônio Hamilton Martins Mourão, 65 anos, candidato a vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições 2018.
Mourão gosta de fazer essa associação em palestras da campanha eleitoral quando ataca o tamanho do Estado brasileiro, critica a crise política e econômica e exalta o potencial de desenvolvimento nacional.
“Gosto muito desse animal”, afirmou Mourão na semana passada, quando fez campanha também em Botucatu, Bauru e São José do Rio Preto e falou para plateias com até 800 militantes e simpatizantes do bolsonarismo.
Sempre protegido por policiais federais, que barram a aproximação de curiosos e jornalistas, ele viajou em um comboio montado por uma SUV na frente e outro carro atrás, todos com vidros escuros, além das escoltas de PMs locais em carros e motos, conforme o jornal O Estado de S.Paulo.
Tido por interlocutores como gentil e educado, Mourão só teve um breve contato com a imprensa na manhã do primeiro dia da viagem, pouco antes do início do evento em Bauru, na Faculdade de Direito da cidade. Foi quando estourou a polêmica da CPMF, após declarações do economista Paulo Guedes sobre tributos.
Abordado pelo Estado em um corredor, quando saía de uma produtora de TV de aliados, falou rapidamente do caso e criticou a criação de imposto. “Temos uma carga tributária boçal. Criar imposto é um tiro no pé”, disse.
‘Balcão de negócios’
Afastado das funções no Exército no ano passado, após quase meio século nos quartéis e tendo comandado tropas no Amazonas e no Rio Grande do Sul, Mourão tem um histórico de retórica rebelde que terminou por abatê-lo na carreira quando, ainda fardado, falou demais e forçou o “amigo” comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, a dispensá-lo da Secretaria de Economia e Finanças do Exército.
O caso: indignado com a crise nacional, Mourão soltou os cachorros no chefe da coisa toda, ou seja, no presidente da República, Michel Temer, nada menos do que o Comandante em Chefe das Forças Armadas. No Clube do Exército, em Brasília, ainda fardado, disse que Temer operava com um “balcão de negócios”. Foi a gota d’água e Villas Bôas desceu-lhe “a borduna”, como já disse o próprio Mourão, reconhecendo o erro com bom humor.
Candidato pela mão do padrinho partidário, Levy Fidelix, velho conhecedor dos caminhos da política nanica brasileira, dono do PRTB, ao qual aderiu o general reformado para formar a coligação com o PSL, Mourão parece mover-se em campo minado. “Eu não sou um político, estou político”, afirmou em uma das palestras para, a seguir, descer o porrete na Constituição “que tem mais de 100 emendas e deve ser reformada.”
Ele gosta de avisar que a comparação do Brasil com um cavalo se deve a uma característica muito pessoal. “Sou um amante da arte equestre”, confessou em Catanduva. O alvo é o Estado pesado e caro, que ele vê como “um animal capaz de saltar 1m80, mas que está sendo montado por um ginete de 180 quilos, de mão pesada e pernas frouxas”. “Temos de desamarrar esse animal maravilhoso”, diz. “O governo tem de dar a ordem e as senhoras e senhores, o progresso”.
Resta saber se o jeito Mourão de ser vingará nas urnas para levar ao Planalto um ginete, também amante dos equinos, que, aliás, é conhecido pelo apelido de “Cavalo”.
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