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Mundo O Brasil mantém um canal de comunicação com os militares da Venezuela

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Manifestantes pedem a libertação do jornalista Luis Carlos Díaz na sede do serviço de Inteligência venezuelano. (Foto: Reprodução)

Generais brasileiros mantêm um canal de comunicação com a cúpula militar da Venezuela desde o encontro ocorrido em setembro do ano passado, na cidade venezuelana de Puerto Ordaz, entre o então ministro da Defesa do governo Temer, general Joaquim Silva e Luna, e seu colega do país vizinho, ainda no cargo, general Vladimir Padrino López.

Segundo afirmaram fontes militares ao GLOBO, essa via de comunicação é considerada importantíssima pelo governo brasileiro. Especula-se até mesmo com o nome de Padrino López como uma figura que poderia garantir uma eventual transição política na Venezuela, caso o presidente Nicolás Maduro seja afastado. Seu nome, garantiu uma fonte, seria bem visto por Brasília.

“Na reunião de Puerto Ordaz, realizada para tratar de cooperação entre os dois países, consolidou-se um canal de diálogo no mais alto nível entre os militares venezuelanos e brasileiros. Esse canal continua operando, no mais absoluto sigilo”, disse a fonte.

O antecessor de Silva e Luna, o ex-ministro Raúl Jungmann, tentou estabelecer algum tipo de comunicação com a cúpula militar venezuelana, mas fracassou. A chegada de Silva e Luna mudou o cenário e as declarações após a conversa em Puerto Ordaz refletiram esse novo clima.

“Celebramos aqui um ato de confiança para a reconstrução de nosso trabalho juntos, para nossos países e particularmente para nossa região, que necessita manter-se em estabilidade e paz”, declarou Silva e Luna na época.

O mundo militar brasileiro acompanha cada capítulo da crise na Venezuela e da disputa entre Maduro e seus opositores. Não por acaso o vice-presidente Hamilton Mourão representou o Brasil na última reunião do Grupo de Lima, em Bogotá, de certa forma ofuscando a presença do chanceler Ernesto Araújo. Naquele momento, entre os militares comentou-se que “existe uma desconfiança crescente em relação à gestão de Araújo” da crise venezuelana.

O governo brasileiro alegou oficialmente na época que Mourão foi enviado por causa da participação no encontro do vice-presidente americano, Mike Pence, mas em Brasília comenta-se que há tensão entre Mourão, os militares e Araújo. Na reunião, os países do Grupo de Lima aprovaram uma declaração em que a possibilidade de intervenção militar na Venezuela foi descartada. Mourão também afirmou que o território brasileiro não seria usado em nenhuma operação do tipo por parte dos Estados Unidos.

Um novo elemento entra agora nessa equação: a posse do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Segundo outra fonte, entre os militares teme-se mais ruído na política externa e que isso possa prejudicar o canal de diálogo com os generais da Venezuela.

Padrino López mantém publicamente seu respaldo a Maduro, mas conversa com colegas de outros países. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica da Venezuela não são considerados os principais responsáveis por violações dos direitos humanos e, portanto, poderiam ser favorecidos por uma anistia. Já a Guarda Nacional e as Forças de Ações Especiais (integradas por policiais e mesmo civis armados pelo governo) serão alvo de denúncias em tribunais locais e internacionais por crimes contra a Humanidade.

tags: Brasil

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