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Brasil O Brasil precisa estar alerta, diz uma virologista sobre o potencial pandêmico de um vírus descoberto no Paraná

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Marilda Siqueira detalha estudos de nova variante do influenza A H1N2. (Foto: Arquivo Pessoal)

O coronavírus não é o único vírus respiratório na mira de cientistas no Paraná. A Fiocruz busca detectar em amostras de pacientes do estado outros casos da nova variante do vírus influenza de potencial pandêmico A H1N2. Essa gripe é transmitida de porcos para seres humanos e foi descoberta, pela primeira vez no mundo, em uma mulher de 22 anos, que se recuperou.

O objetivo é estudar sua capacidade de transmissão e manter a vigilância, explica a virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que identificou o novo vírus e é referência nacional e para as Américas (Organização Mundial da Saúde) para influenza e o Sars-CoV-2.

1) A variante de influenza do tipo A H1N2 identificada pelo seu laboratório no Paraná é diferente das demais?

Sim. Desde 2005, a variante do vírus influenza A H1N2 já foi encontrada outras 25 vezes. Mas esta que identificamos em uma amostra de Ibiporã, no Paraná, é diferente de todas as demais já descobertas no mundo.

2) Ela é uma variante da variante?

Sim, é genomicamente diferente. Mas não sabemos ainda o que isso significa, se lhe confere mais risco ou menos. É por isso que vamos buscar outros possíveis casos.

3) O que significa ter potencial pandêmico?

Os vírus influenza são muito contagiosos, e, sempre que um novo emerge, causa preocupação porque a população não tem imunidade contra ele.

4) Quão perigosa é a variante descoberta no Paraná?

Ela provocou um caso gripal leve, uma moça de 22 de anos, que trabalhava num matadouro em Ibiporã, no Paraná. Ela adoeceu em abril, mas se recuperou totalmente. Essa variante do vírus influenza A H1N2 tem potencial pandêmico, mas isso não quer dizer que vá causar pandemia.

5) Esse vírus é mais ou menos perigoso do que o anunciado recentemente na China?

Diria que o potencial de causar pandemia é o mesmo. Sendo que o novo vírus influenza identificado na China (G4 EA H1N1), pelo que se sabe, infectou somente os porcos. Este daqui do Brasil foi transmitido para seres humanos.

6) O que se sabe sobre a capacidade de transmissão desse vírus de gripe suína descoberto no Brasil?

Todos os indícios que temos é que ele se transmite com dificuldade do porco para seres humanos e não passa de uma pessoa para outra. Por isso, não é facilmente transmissível. Ele precisaria sofrer mutações que lhe conferissem a capacidade de não apenas pular entre espécies, mas se tornar transmissível com eficiência na nossa espécie.

7) Qual a probabilidade de isso acontecer?

Não são eventos comuns, mas são eventos possíveis, que já ocorreram várias vezes na História, a mais recente agora. Precisamos manter vigilância intensa e constante porque as pandemias de H1N1 e do coronavírus Sars-CoV-2 deixam mais do que evidente como vírus respiratórios podem ser devastadores. Então, precisam ser detectados e contidos no início.

8) Qual é a diferença entre combater uma pandemia de influenza e de coronavírus?

Vírus influenza e coronavírus têm um potencial semelhante de provocar pandemia. A diferença é que sabemos fazer vacina contra a influenza. Em pouco tempo poderíamos desenvolver uma adequada a uma nova variante. Não seria uma vacina com que sonharíamos, não seria duradoura nem protegeria todo mundo. Porém, evitaria uma pandemia. Não sabemos muito ainda sobre os coronavírus. Mas tenho certeza de que teremos uma vacina.

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