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Geral O calor que estamos passando agora era previsto apenas para 2027

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Este ano, a mudança do clima pisou no acelerador global de desastres. (Foto: Reprodução)

Copresidente do Painel Científico para a Amazônia, o climatologista Carlos Nobre está preocupado com o calor, a seca e o fogo, que continua a consumir vastas áreas da Floresta Amazônia e do Cerrado. Ele adverte que, este ano, a mudança do clima pisou no acelerador global de desastres. Nobre diz que haverá mais ondas de calor no verão, mas, provavelmente, de duração menor, graças à umidade característica da estação. Segundo ele, o calor experimentado agora era previsto apenas para 2027. Leia a seguir alguns trechos da entrevista que Nobre concedeu ao jornal O Globo.

– O Acordo de Paris tenta limitar em 1,5°C a elevação da temperatura da Terra. A COP-28, em Dubai, começa no próximo dia 30, sem perspectiva de que isso será alcançado. O que significa 1,5°C de aumento? “Não parece muito, mas é uma brutalidade. Temos sofrido com dias em que a temperatura ficou cinco ou mais graus acima da média, passou fácil dos 40°C. Mas isso é a temperatura local, não do planeta. Quando se fala de 1,5°C a mais, se leva em conta a temperatura média da Terra contando todas as estações, os lugares mais frios e quentes, tudo. Esse ano, estamos 1,4°C acima da média global de 1850-1900 e temos sido cozidos vivos. Imagine ainda mais quente.

– O IPCC alertou que, no atual ritmo de emissões de gases-estufa, chegaremos ao fim do século ou até antes a 4°C. O que isso significa? “Se a temperatura média da Terra se elevar a 4°C, um cenário provável se as emissões de CO2 continuarem a subir, as cidades tropicais e subtropicais do mundo se tornarão inabitáveis. O Rio teria mais de 300 dias por ano acima do limite de temperatura tolerável pelo ser humano. Temperaturas que matam idosos e bebês em meia hora e qualquer jovem saudável em duas horas. Nosso corpo não evoluiu para se adaptar a isso.

– Mas esse ano temos um El Niño forte. Qual a influência dele? “Esse El Niño é forte, mas não tão intenso quanto o de 1997 ou de 2015-16. É poderoso, mas não está só. As chuvas no Sul do Brasil são causadas por ele. Mas há outras forças de magnitude planetária. É o desequilíbrio das mudanças climáticas. São tão poderosas que se contrapõem ao El Niño em alguns casos. Tivemos um ciclone no Mediterrâneo que causou uma inundação no deserto da Líbia, incêndios de dimensões continentais no Canadá, calor recorde no Hemisfério Norte. Nada disso foi o El Niño. A elevação da temperatura do Atlântico gerou furacões terríveis. O El Niño reduz furacões. Estamos no meio de uma queda de braço de forças climáticas planetárias.

– Em que ponto estamos? “Precisamos reduzir as emissões. Os extremos, como o calor que tivemos agora, eram previstos para 2027. Mas o clima está mudando mais depressa. É o ano mais quente desde 1850, quando começaram as medições. O mais tórrido dos últimos 125 mil anos, quando o mar estava sete metros mais alto.

– Teremos outra onda de calor como a da semana passada? “Certamente teremos muito calor. Mas como o verão costuma ser mais úmido, as ondas podem não durar tanto. A não ser que tenhamos de novo um sistema de alta pressão como o de 2014 e 2015, que deixou o Sudeste por mais de 40 dias sem chuva em pleno verão.As informações são do jornal O Globo.

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