Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de junho de 2017
O risco de que a crise política, deflagrada pela delação dos controladores da JBS, prejudique o desempenho da economia reacendeu o temor de surgimento de novos casos de calote entre as companhias de maior porte. Além disso, os bancos permanecem em negociação com as empresas investigadas pela Operação Lava-Jato.
A situação do próprio grupo J&F, dono da JBS, vem sendo acompanhada de perto. Todas as grandes instituições financeiras possuem financiamentos concedidos a empresas do grupo.
O acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões fechado pela holding J&F com o Ministério Público Federal facilita o processo de negociação para a rolagem das dívidas das empresas do grupo com os credores. Mas os bancos não descartam tomar medidas como a exigência de mais garantias ou a redução dos limites.
Embora o volume do endividamento do grupo J&F seja grande e preocupe os bancos, as companhias são operacionais e com um perfil diferente das empresas do setor de infraestrutura implicadas na Lava-Jato. “Parte da receita das empreiteiras estava vinculada à execução de projetos que acabaram não se concretizando em razão dos problemas da Petrobras”, diz uma fonte.
A empresa, contudo, tem mostrado agilidade no processo de reforçar o caixa. A JBS anunciou a venda das operações na Argentina, Paraguai e Uruguai por US$ 300 milhões (quase R$ 1 bilhão, no câmbio de ontem). A Alpargatas, também interessa a potenciais compradores.
Em um ambiente de maior incerteza, os bancos, que já estavam mais seletivos, devem apertar ainda mais as condições para concessão de crédito para grandes empresas. O saldo dos financiamentos no segmento nos cinco maiores bancos — Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander — encerrou março em R$ 762 bilhões, queda de 5,8% em relação ao primeiro trimestre de 2016, uma retração maior que o crédito como um todo. (AG)
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