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Colunistas O Cavalo de Troia do negacionismo científico

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Existem temas que merecem voltar ao debate público porque novas evidências surgiram e outros porque antigas versões encontram uma oportunidade para se reciclar. O recrudescimento das controvérsias envolvendo o médico americano Anthony Fauci parece produzir exatamente esse segundo fenômeno: questões sobre sua atuação durante a pandemia estão sendo utilizadas, de maneira enviesada, para ressuscitar o discurso antivacina e até mesmo a defesa de medicamentos cuja eficácia contra a Covid-19 não foi demonstrada pela ciência.

É uma associação intelectualmente indevida e socialmente perigosa. Fauci não está acima de investigação. Sua participação nas decisões tomadas durante a pandemia, as relações do NIH com pesquisas envolvendo coronavírus, o financiamento indireto de trabalhos realizados em Wuhan e a transparência com que essas questões foram apresentadas ao público e ao Congresso americano são assuntos legítimos. Ciência não exige santos nem autoridades infalíveis. Exige escrutínio, transparência e disposição para corrigir erros.

Entretanto, uma coisa é investigar se Fauci errou, omitiu informações ou adotou posições equivocadas. Outra, completamente diferente, é concluir que eventuais erros seus demonstrariam que as vacinas contra a Covid não funcionaram ou que medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina funcionavam e foram deliberadamente desprezados.

Se ficar comprovado que Fauci faltou com a verdade sobre determinado episódio relacionado a Wuhan, estará demonstrado que Fauci faltou com a verdade sobre aquele episódio. Não estará demonstrado que uma vacina deixou de produzir proteção ou que um medicamento ineficaz se tornou eficaz. Moléculas não possuem ideologia. Vírus não votam. Ensaios clínicos não mudam seus resultados porque um cientista perdeu credibilidade.

A hidroxicloroquina não foi simplesmente descartada por alguma conspiração. Foi estudada em numerosos ensaios clínicos envolvendo milhares de pacientes, sem demonstrar redução relevante da mortalidade ou da necessidade de ventilação mecânica. A própria FDA chegou a autorizar emergencialmente seu uso no início da pandemia e posteriormente revogou a autorização diante das evidências acumuladas.

O caso das vacinas é ainda mais preocupante. Transformar controvérsias envolvendo Fauci em argumento contra a vacinação significa substituir evidência científica por culpa por associação. As vacinas contra a Covid foram avaliadas por pesquisadores, universidades, autoridades sanitárias e sistemas de saúde em inúmeros países. Seus benefícios e riscos foram estudados em populações gigantescas. Essas evidências não dependem da reputação pessoal de Anthony Fauci.

Vivemos uma época de crescente desconfiança nas instituições e extraordinária velocidade na disseminação de informações falsas. O movimento antivacina, antes relativamente marginal, encontrou nas redes sociais uma poderosa infraestrutura de propagação. O risco agora é que uma investigação sobre responsabilidades individuais seja transformada numa espécie de absolvição retroativa de tudo aquilo que foi defendido durante os momentos mais irracionais da pandemia.

O maior risco não está em descobrir que uma autoridade científica errou. Cientistas erram. Instituições erram. O perigo existe e é potencializado quando utilizamos o erro de uma pessoa para desacreditar todo um método de conhecimento. Não há argumento razoável que justifique tal postura.

A ciência não pede que acreditemos em Anthony Fauci. Pede somente que sigamos as evidências, inclusive quando elas contrariam nossas convicções. A vontade de acreditar não deve superar as evidências.

Investigue-se Fauci até onde os fatos determinarem. Responsabilize-se quem eventualmente tiver cometido irregularidades. Mas evitemos que essa discussão seja usada como cavalo de Troia para trazer de volta o negacionismo vacinal e tratamentos que as evidências não conseguiram validar.

Depois de tudo o que vivemos, ressuscitar esses fantasmas seria preparar o terreno para repetirmos, na próxima crise sanitária, os mesmos erros que custaram tão caro na última.

(Instagram: @edsonbundchen)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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2 Comentários
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Davi
6 de agosto de 2026 10:27

O sujeito querer impor a sua verdade um assunto medico cientifico sem ser da area…afff,,,sem nenhuma paciencia pra militante lacrador…falaserio…

Adalberto Meneguzzi
6 de agosto de 2026 09:12

Os testes clínicos sobre a eficácia do Ivermectina e Hidroxicloroquina foram apresentados pelo congresso americano, apontando eficácia de até 70%, estudo que não foi realizado com a vacina. Esta foi desenvolvida em menos de um ano, tempo inábil para qualquer estudo de eficácia. Mas o problema maior não foi simplesmente ter ou não estudos à época, foi ter-se proibido a utilização desses medicamentos e outros tantos, de comprovada eficácia anti-viral, em um momento de extrema urgência! Único anti-viral autorizado foi o Remdezivir, de alto custo, que também não foi criado especificamente para o covid, mas para Epatite C e Ebola.… Leia mais »

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