Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de abril de 2020
O consenso entre os integrantes do governo e seus apoiadores no Congresso, depois da entrevista concedida na noite de domingo (12) por Luiz Henrique Mandetta à TV Globo, é que o ministro da Saúde está forçando a barra para ser demitido.
Mais uma vez, o ministro fez críticas à postura do presidente Jair Bolsonaro, que quase todo dia causa aglomerações e reclama do isolamento social. Mandetta diz que o brasileiro fica em dúvida se “escuta o ministro da saúde ou se escuta o presidente da República”.
O comentário entre os governistas é que desde o episódio do sai-não-sai da semana passada Mandetta ficou mais à vontade, por conta do apoio dos militares que intercederam para que ele continuasse no cargo. Alguns dizem que o próprio ministro desejava sair naquela oportunidade. Assim, depois do já previsto aumento do número de óbitos na pandemia, poderia adotar o discurso de que se tivesse ficado morreriam menos brasileiros.
O objetivo, segundo essas fontes, é fazer crescer ainda mais a popularidade e construir chances reais de uma candidatura à Presidência em 2022.
Um dos parlamentares que tem linha direta com o presidente, no entanto, faz uma aposta categórica: “Não haverá mudança no ministério até o final da crise”. A estratégia é não dar a Mandetta o argumento de que fez falta no ministério e evitar centralizar todo o desgaste em Bolsonaro.
Como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, a entrevista de Mandetta foi encarada por interlocutores e integrantes do Palácio do Planalto como uma provocação ao presidente, com quem trava uma guerra pública sobre medidas de enfrentamento ao novo coronavírus. Na avaliação inicial deles, o ministro não apenas voltou a contrariar as opiniões do presidente, mas a fala à emissora que Bolsonaro costuma classificar como “inimiga” também foi vista como uma afronta.
Outro ponto que não passou despercebido foi o fato de a entrevista ter sido gravada no Palácio das Esmeraldas, na sede do governo de Goiás. O governador Ronaldo Caiado (DEM) rompeu no mês passado com o presidente, após Bolsonaro se referir à Covid-19 como uma “gripezinha” e ter incentivado as pessoas voltarem à “normalidade” para evitar um colapso econômico.
Na entrevista, além de apontar os sinais trocados do governo, Mandetta também criticou quem se baseia em notícias falsas da internet para minimizar a pandemia e avisou a empresários que eles serão expostos se driblarem as restrições.
Mandetta disse ainda que maio e junho serão os meses mais difíceis da crise. Enquanto Bolsonaro, em clara divergência, disse no domingo, em videoconferência com lideranças religiosas, que a “questão do vírus está começando a ir embora”.
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