Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de abril de 2018
Confirmada a cada vez mais provável hipótese de o ex-presidente Lula, agora preso, não poder entrar na corrida presidencial de outubro, o destino do espólio eleitoral do petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto, deverá seguir indefinido em meio a uma disputa entre candidatos à esquerda, entre eles o PT, por quinhões deste capital político.
A cerca de seis meses da eleição e a quatro meses da definição oficial das candidaturas, as pesquisas eleitorais divulgadas até agora dão sinalizações ainda precárias de quem será o principal herdeiro da força eleitoral de Lula. Movimentações do petista durante seu ato pré-prisão no fim de semana tampouco são capazes de sinalizar claramente a direção de seu capital político.
No fim de semana, e diante de milhares de simpatizantes horas antes de ser preso, Lula posou de mãos dadas com os pré-candidatos à Presidência do PCdoB, Manuela D’Ávila, e do PSOL, Guilherme Boulos.
O gesto, no entanto, e de acordo com analistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, não teve a intenção de sinalizar que ali estavam dois herdeiros do capital político lulista para o pleito de outubro. Além disso, Boulos – como líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) – e Manuela – cujo partido comanda boa parte do movimento estudantil – representam setores de movimentos sociais que serão importantes para Lula neste momento.
“É bom ter uma certa cautela olhando para isso, porque nenhum dos dois é do partido dele. De modo que a percepção de que ele estava transferindo para esses dois, acho que é um pouco de precipitação. É um gesto, em certa medida, de tentativa de união desse campo”, disse o cientista político da FGV (Fundação Getulio Vargas) Cláudio Couto, lembrando que o PT, mesmo com o forte desgaste que sofreu recentemente, ainda é a legenda hegemônica entre as esquerdas.
Para Couto, será necessário aguardar as próximas pesquisas eleitorais para saber se o cenário em que Ciro e Marina aparecem como principais beneficiários da ausência eleitoral de Lula se manterá e para saber o que o especialista chamou de “ritual” feito por Lula horas antes de sua prisão terá impacto imediato na preferência do eleitorado.
Hegemonia
Ao mesmo tempo, parece pouco provável, na avaliação dos analistas, que o PT decida abrir mão de lançar candidato próprio ao Palácio do Planalto em favor de um candidato de outra legenda de esquerda.
A estratégia do partido de seguir insistindo na candidatura de Lula, mesmo com a cada vez mais provável inelegibilidade, representa um risco, já que pode-se perder o timing de lançamento de um nome alternativo.
Ao mesmo tempo, especialistas também apontam que essa deve ser a estratégia com maior chances de maximizar a capacidade de transferência de capital político do Lula.
Pela legislação eleitoral, é possível a mudança na cabeça de chapa até 20 dias antes da eleição, cujo primeiro turno está marcado para 7 de outubro.
De todo modo, o tamanho do espólio eleitoral de Lula deverá ficar aquém dos cerca de 35 por cento de intenção de voto que o petista já registrou nas pesquisas, na avaliação da especialista em pesquisas de opinião Fátima Pacheco Jordão.
Para a especialista, aliás, o cenário eleitoral atual de grande incerteza, tanto no campo da esquerda quanto no da direita e no do centro, faz com que a definição sobre o destino do capital político de Lula ainda seja incerta.
“A população não está, neste momento, enxergando as eleições. Ela vai começar a enxergar daqui a uns meses com a definição dos candidatos”, disse a especialista.
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