Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 21 de julho de 2019
O diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Magnus Osório Galvão, rebateu as críticas feitas na sexta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, que acusou o órgão de pesquisa de mentir sobre dados de desmatamento da Amazônia . O presidente disse ainda que Galvão estaria “agindo a serviço de uma ONG”. O chefe do instituto, que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, afirmou ainda que, apesar de estar sendo “fritado”, não deixará o cargo. As informações são do jornal O Globo.
“Fazer uma acusação em público esperando que a pessoa se demita. Eu não vou me demitir”, disse Galvão, que comparou sua situação à do ex-presidente do BNDES Joaquim Levy , que pediu demissão do cargo em junho após críticas de Bolsonaro.
Em reunião com correspondentes internacionais nesta sexta-feira, em Brasília, o presidente questionou os dados divulgados pelo Inpe no dia anterior que mostram um avanço no desmatamento da Amazônia .
“Com toda a devastação que vocês nos acusam de estar fazendo e de ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido”, disse ele. “Isso acontece com muitas revelações, como a de agora (…), e inclusive já mandei ver quem está à frente do Inpe para que venha explicar em Brasília esses dados que foram enviados à imprensa”, completou.
Galvão disse que os dados sobre desmatamento da Amazônia feitos pelo Inpe começaram a ser coletados em meados da década de 1970.
“A partir de 1988 nós temos a maior série histórica de dados de desmatamento de florestas tropicais respeitada mundialmente”, informou. “Ao fazer acusações sobre os dados do Inpe, na verdade ele (Bolsonaro) o faz em duas partes. Na primeira, me acusa de estar a serviço de uma ONG internacional. Ele já disse que os dados do Inpe não estavam corretos segundo a avaliação dele, como se ele tivesse qualidade ou qualificação de fazer análise de dados”, completou o gestor.
O diretor do instituto disse ter respeito pelo presidente Bolsonaro como um representante eleito, mas criticou seu comportamento.
“Sou republicano e (acredito) que ele tem várias propostas que vão em benefício do País, mas ele tem tido realmente comportamento que não respeitam a dignidade e a liturgia da presidência”, criticou Galvão, que seguiu: “Principalmente quando ele tem essas entrevistas com a imprensa ou mesmo em outras manifestações, ele tem um comportamento como se estivesse em botequim. (…) Ou seja, ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, não estou dizendo só eu, mas muitas outras pessoas. Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da República fazer.”
Mais questionamentos
Na semana passada, entidades enviaram uma carta conjunta endereçada ao presidente na qual defendem a atuação do Inpe, cujas pesquisas sobre desmatamento vêm sendo postas em xeque por integrantes do governo, como o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o general da reserva Augusto Heleno, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina .
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também já questionou as informações do órgão e chegou a afirmar que a Amazônia tem desmatamento perto de zero.
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