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Geral O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde denuncia que é alvo de ameaças de morte e ofensas raciais

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Na avaliação de Ghebreyesus, o mundo agora está "em uma fase nova e perigosa". (Foto: Denis Balibouse/Reuters)

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na quarta-feira (8) que tem sido alvo de comentários racistas e ameaças de morte há, pelo menos, três meses. Segundo ele, os ataques são originários de Taiwan e incluem o termo “negro”, que em inglês é considerado pejorativo e faz referência aos tempos coloniais e de escravidão.

Tedros comunicou sobre as ofensas ao governo taiwanês, que foi suspenso da OMS após pressão de Pequim, que considera a região uma província rebelde e não um país. Porém, o diretor-geral conta que eles não se preocuparam com a situação.

Eles não se importaram. Começaram a até me criticar em meio a todos esses insultos e xingamentos, mas também não me importei.”

Em uma entrevista coletiva na quarta-feira, Tedros comentou sobre o caso e disse que, embora não se importe com os ataques pessoais, não poderia aceitar as ofensas raciais.

Quando toda a comunidade negra é insultada, quando a África é insultada, eu não posso tolerar”, declarou.

Já nesta quinta-feira (9), a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, se posicionou sobre a situação através das redes sociais. “Taiwan sempre se opôs a todas as formas de discriminação. Durante anos, fomos excluídos de organizações internacionais e sabemos melhor do que ninguém como é ser discriminado e isolado”, escreveu no Facebook.

Na mesma coletiva, Tedros também fez um apelo para que as pessoas tivessem mais solidariedade, alertando que politizar o combate ao novo coronavírus resultaria em mais mortes.

O comentário do diretor-geral foi feito depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a criticar a OMS, na última terça-feira, acusando-a de agir devagar demais para acionar o alarme contra a doença e de agir favorecendo a China. O chefe da Casa Branca chegou a ameaçar que reteria os fundos americanos para a organização e não foi o único a fazer críticas contra a OMS.

Assim como Trump, demais críticos alegaram que a organização de saúde confiou demais no governo chinês e que ela teria demorado demais para declarar emergência global. Questionado sobre os comentários do presidente americano, Tedros respondeu:

Por favor, não politize esse vírus. Se quer ter muito mais corpos, faça isso. Se você não quiser muitos mais sacos para o corpo, evite politizá-lo.”

Líderes do continente africano saíram em defesa do diretor-geral, divulgando um comunicado assinado pelos chefes de governo e de Estado de África do Sul, Etiópia, Nigéria e Ruanda. No documento, os países reiteraram total confiança na OMS e em seu diretor-geral.

O presidente da União Africana, Moussa Faki Mahamat, disse no Twitter: “O foco deve permanecer no combate coletivo à Covid-19 como uma comunidade global unida. Chegará a hora da prestação de contas.”

Na África, os casos confirmados de Covid-19 somam mais de 11 mil; mais de 500 pessoas morreram da doença no continente. O Banco Mundial disse que a África Subsaariana sofrerá sua primeira recessão em 25 anos como consequência do surto. As informações são do jornal The New York Times.

 

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