Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2021

Porto Alegre
Porto Alegre
28°
Partly Cloudy

Mundo O dirigente da empresa que produz a Coronavac diz que a vacina pode mudar o rumo da pandemia no Brasil

Compartilhe esta notícia:

Yin Weidong aposta na regularização da vinda de insumos da China para o Brasil. (Foto: Sinovac/ Reprodução Twitter)

Comandante da Sinovac, a farmacêutica chinesa que produz uma das duas únicas vacinas contra a Covid-19 aprovadas até o momento no Brasil para uso emergencial, Yin Weidong defende a eficácia do imunizante que será produzido no país pelo Instituto Butantan. A CoronaVac é o imunizante, aposta, “capaz de frear a pandemia no Brasil”.

“Nosso foco é nos “três nãos”: não à necessidade de tratamento médico, não à doença severa e não à morte. De acordo com a fase três dos testes clínicos, esse objetivo pode ser alcançado”, diz o CEO. Yin disse ainda que a nova variante da Covid-19 detectada no Amazonas preocupa os chineses, mas que testes mostraram que a CoronaVac oferece proteção também para algumas das novas mutações do vírus.

O novo surto de Covid-19 que colocou o gigante asiático em alerta nas últimas semanas acabou alterando na última hora o local da entrevista. É que a região em que se localiza a nova unidade da Sinovac onde está sendo fabricada a CoronaVac entrou em lockdown após a descoberta de novos casos do vírus.

A Sinovac antecipou que o presidente da empresa não responderia a duas questões: sobre o envolvimento de Yin Weidong num caso de suborno a um funcionário de uma agência reguladora chinesa entre 2002 e 2011; e sobre detalhes do contrato da Sinovac com o Butantan que teriam impedido o instituto brasileiro de divulgar os resultados completos dos testes clínicos feitos no Brasil.

1) A CoronaVac pode frear a pandemia no Brasil?

Este é o nosso objetivo. Encontramos no Instituto Butantan um parceiro com muitos anos de experiência na área de vacinas. Estou confiante em que podemos mudar a situação da pandemia no Brasil. Nosso objetivo é evitar que as pessoas, uma vez infectadas, necessitem de tratamento, de hospitalização, que corram risco de vida. Resolver esse problema significa reduzir o fardo para toda a sociedade. Nosso foco é nos “três nãos”: não à necessidade de tratamento médico, não à doença severa e não à morte. De acordo com a fase três dos testes clínicos, esse objetivo pode ser alcançado.

2) Como vê a diferença entre as medidas de controle na China e no Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro inicialmente se opôs à aquisição da CoronaVac?

A China adotou um sistema de isolamento obrigatório. Quando há uma infecção, o isolamento é feito de forma rápida e completa e temos kits de testes em quantidade suficiente para rapidamente rastrear os casos. Neste momento a China tem mais de 100 casos por dia, o que já é muito alto para nós. Mas não quero fazer julgamentos políticos ou de sociedades. Na China é muito fácil detectar a origem das infecções. No momento, a maioria é de casos importados. Na China há menos fontes de transmissão e facilidade de detecção e controle. O Brasil tem muitas fontes de transmissão, é muito difícil controlar. Sobre o presidente do Brasil e suas ações políticas, não estou muito a par, não posso comentar.

3) Quando será o próximo envio dos insumos para a produção da CoronaVac no Brasil?

A data exata não sei dizer, mas já fornecemos milhões de doses ao Butantan, mais até do que para o mercado chinês. Entendo a preocupação das pessoas. O mundo inteiro está ansioso para ter as vacinas, todos os governos estão na expectativa de tê-las. Há uma escassez planetária no suprimento de vacinas. Não é uma questão que afeta apenas a população brasileira. Nós faremos o máximo para implementar o fornecimento de acordo com o contrato. Construímos uma nova linha de produção para 500 milhões de doses. Isso significa que seremos capazes de dobrar a nossa produção, ou seja, um bilhão de doses por ano. Nossa cooperação com o Butantan é principalmente para fornecer o produto semipronto, e eles concluirão o processo. Assinamos um contrato comercial e vamos executá-lo. Acreditem no Butantan e na parceria com a Sinovac.

4) O resultado global de eficácia de 50,38% da CoronaVac foi recebido com algum ceticismo no Brasil. Qual a sua avaliação?

Está cientificamente provado pelos testes clínicos realizados no Brasil, na Turquia e na Indonésia que a vacina oferece proteção. Há um eixo vertical que mostra de alto a baixo os níveis de proteção capazes de prevenir hospitalizações, tratamento médico, sintomas leves e infecção. No alto do eixo temos os sintomas severos e as hospitalizações, para os quais a proteção é de 100%. Em seguida há a proteção para prevenir a necessidade de tratamento médico, que é de 78%. Nos sintomas leves e médios a proteção é mais baixa. A conclusão foi a de que o nível geral de proteção é de 50%.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Em carreatas, manifestações sobre a vacina e o governo Bolsonaro
Saiba o que é o Estado de Defesa citado pelo procurador-geral da República
Deixe seu comentário
Pode te interessar