Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de fevereiro de 2020
O temor de que o coronavírus se espalhe de forma exponencial, também fora da China, levou os investidores a buscarem mais uma vez a segurança do dólar e a divisa americana cravou nova máxima histórica frente ao real no fechamento do pregão. O dólar comercial encerrou negociado a R$ 4,285, uma alta de 0,65%. Até então, a maior cotação atingida pela divisa americana frente ao real era de R$ 4,258, registrada no fechamento da sessão do último dia 27 de novembro de 2019. Na máxima do dia, a divisa foi negociada a R$ 4,286.
Na semana, a moeda acumulou ganhos de 2,43%. No mês de janeiro, a alta foi de 6,86%, a maior valorização mensal em dez anos. Em janeiro de 2010, a divisa americana subiu 8,7% frente ao real.
— Os investidores correram para o dólar. E nos países emergentes, exportadores de commodities, como o Brasil, que têm a China como um dos maiores compradores, a volatilidade foi ainda maior. Estamos vivendo das expectativas e nos momentos ruins, como este, o investidor precifica o fim do mundo. Depois, percebe que o mundo não vai acabar — observa Fabrizio Velloni, sócio da Frente Corretora.
A aversão ao risco fez o Ibovespa ter mais um pregão de queda, seguindo o pessimismo global. O índice recuou 1,53% aos 113.760 pontos. É a menor cotação desde o dia 17 de dezembro passado, quando o Ibovespa fechou a 112.615 pontos. Na máxima do dia, o índice subiu até 115.518 pontos e, na mínima, desceu a 113.148 pontos. Na semana, a Bolsa caiu 3,89%, enquanto no mês de janeiro o recuo foi de 1,62%. É a maior desvalorização para o mês de janeiro desde 2016, quando o Ibovespa recuou 6,8% no período.
Durou pouco o alívio nos mercados causado pela declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a emergência global de coronavírus não incluir uma recomendação para que viagens e o comércio com China fossem suspensos. A notícia que a companhia aérea americana Delta decidiu suspender todos os voos semanais entre EUA e China, até o dia 30 de abril, um dia depois do departamento de estado americano desaconselhar qualquer viagem ao país asiático, mostrou que nem todos os países estão dispostos a seguir a orientação da OMS.
O mercado está apreensivo com a velocidade com que o vírus se espalha pelo mundo. Nesta sexta, os governos do Reino Unido, da Suécia e da Rússia confirmaram nesta sexta-feira casos do novo coronavírus. No caso britânico, duas pessoas da mesma família foram hospitalizadas, mas não se sabe se ambas estiveram na China. O governo russo informou que os dois pacientes são de nacionalidade chinesa e vivem em regiões diferentes do país. No total, são 21 países atingidos fora da China. No país asiático, são 9.809 casos e 213 mortes.
— Mesmo com o acompanhamento da OMS e as ações de Pequim para conter a doença, o vírus segue se espalhando e as vítimas fatais não param de aumentar. Todo o cenário de incerteza a respeito do real impacto do coronavírus na economia do país faz com que os investidores embolsem os possíveis lucros para mitigar possíveis perdas maiores — avalia Mauricio Pedrosa, estrategista da gestora Áfira.
Mathieu Racheter, estrategista de ações do banco Julius Baer, disse por e-mail ao GLOBO que num cenário em que a epidemia atinja o pico em fevereiro, o choque para a economia será em grande parte de demanda, atingindo principalmente o setor de serviços, com as atividades de vendas no varejo, entretenimento, turismo e viagens sendo mais afetadas.
Mal estar foi global
O mal estar foi generalizado nesta sexta nos mercados. Na Europa, o temor do coronavírus e o crescimento econômico mais fraco da zona do euro em 2019 derrubaram as Bolsas. O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu 1,2% no ano passado, a expansão mais fraca desde 2013. O DAX, referência da Bolsa de Frankfurt, caiu mais 1,33% nesta sexta, e na semana recuou 4,28%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 recuou 1,11% nesta sexta e perdeu 3,62% na semana. Na Bolsa de Londres, o FTSE 100 perdeu 1,30% na sessão, e 3,95% na semana.
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