Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de dezembro de 2017
Um pedido do delator Lúcio Funaro ao juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, chamou a atenção pela justificativa.
Apontado como operador do PMDB, ele solicitou ao magistrado a autorização para receber, durante o período em que ficará em prisão domiciliar, visitas de um amigo com quem costuma jogar tênis.
O pedido foi feito na última terça-feira (19), quando Vallisney de Oliveira autorizou o delator a cumprir a pena em uma fazenda na cidade de Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo.
Na mesma audiência, o juiz concordou que o operador pode receber visitas de 15 pessoas. Na lista que entregou ao magistrado, Funaro incluiu o nome de Marcelo Andrade, o parceiro de partidas de tênis.
“Como tem quadra de tênis na casa, eu deixei separado uma pessoa para jogar tênis comigo”, justificou o delator ao explicar quem era Marcelo Andrade na lista de visitantes.
Decisão do juiz
Apesar do apelo, Vallisney não concordou com a autorização para Marcelo Andrade visitar Funaro na prisão domiciliar.
“Eu vou me opor só ao José Geraldo Costa e ao Marcelo Andrade, porque são só amigos. Por enquanto. Depois a gente inclui”, decidiu o magistrado, acrescentando que posteriormente poderá liberar o acesso de amigos.
“Amigos… Senão vai ficar uma festa na sua casa lá, muita gente”, completou Vallisney.
Funaro acatou a determinação, mas disse que não faria festas. “Não vai ficar [uma festa], até porque eu não vou deixar entrar tudo de uma vez.”
Preso desde junho de 2016 no Complexo Penitenciário da Papuda, Funaro é apontado como operador de propinas de políticos do PMDB.
Ele fechou um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) em agosto, no qual se comprometeu a revelar e detalhar todos os crimes nos quais se envolveu nos últimos anos.
Detentos do regime domiciliar devem utilizar tornozeleira eletrônica para serem monitorados. No entanto, o Distrito Federal e São Paulo não têm o equipamento.
O juiz Vallisney propôs que Funaro cumprisse o novo regime em Brasília, para que a fiscalização fosse mais eficaz. No entanto, a defesa sugeriu a instalação das câmeras na fazenda, e o juiz concordou.
A fazenda em que Funaro ficará nos próximos dois anos será monitorada por câmeras que ele mesmo deve instalar. O Ministério Público Federal e a 10ª Vara de Justiça terão acesso às imagens durante 24 horas por dia.
O equipamento deverá ser instalado em todas as entradas da propriedade, nas quatro entradas da residência e em um ponto fixo dentro da casa até o 2 de janeiro.
Nesse período, Funaro ficará em sua casa na capital de São Paulo, onde já possui câmeras de segurança.
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