Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

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Brasil O empresário Abílio Diniz diz que o País vai se recuperar rápido e surpreender o mundo

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Empresário diz que auxílio emergencial vai ajudar na retomada e que pressão ambiental externa sobre o Brasil é 'hipocrisia'. (Foto: Beto Barata/PR)

Abilio Diniz acredita que o Brasil sairá da crise mais rápido e com uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) menor do que se espera. E o grande responsável por essa recuperação, “não em V completo, mas bem inclinado”, na sua visão, será o auxílio emergencial de R$ 600, que ele diz estar fazendo a economia girar.

O empresário que tornou o Pão de Açúcar um gigante do varejo e hoje é acionista do rival Carrefour na França — entre outras participações por meio da gestora Península, que lhe garantem uma fortuna avaliada em mais de US$ 2,3 bilhões — virou um influenciador digital durante a pandemia, falando de economia, quarentena, saúde e bem-estar. Confira trechos da entrevista:

1) O que o Brasil precisa fazer para sair dessa crise?

Sou otimista. Mas dentro da realidade. Tivemos um baque forte, um número grande de infectados (pelo coronavírus) por habitante. Mas a economia está voltando à realidade: o gasto das famílias está aumentando, uma certa iniciativa privada começa a investir, e um certo dinheiro externo que está ávido pelo Brasil está voltando. Veja: os mais atingidos foram os mais vulneráveis. Mas o auxílio de R$ 600 permitiu uma transferência de renda extraordinária, e isso foi muito importante. Essas pessoas giram a economia com muita rapidez. O governo botou muito dinheiro, muita coisa positiva aconteceu. Não acho que vai ser uma recuperação em um “V” completo. Mas acho que vai ser muito inclinada. Acredito nas palavras de Paulo Guedes de que vamos surpreender o mundo. Vamos recuperar muito mais rápido que os europeus. Evidente que, para ter uma retomada sustentável, precisa das reformas administrativa e tributária.

2) O fim do Renda Brasil preocupa?

Não acho que seja o fim. O governo não quer tirar dos pobres para dar aos paupérrimos. Acho que ainda pode ser retomado. O ideal seria mudar o critério do Bolsa Família, alcançar mais gente com um valor maior. Acho que deveria fazer, se puder.

3) Dá para fazer e respeitar o teto de gastos?

A questão fiscal é muito séria, temos que ter respeito, mas ainda não chegamos ao desastre. Há tempo para arrumar. Não devemos romper o teto de gastos, e sim fazer as reformas para melhorar a situação do Estado em todos os níveis, pois o problema não é só federal. É importante também, nessa linha, desindexar gastos para poder manejar recursos, e ainda analisar com profundidade os gastos atuais, se estão sendo bem aplicados e tendo retorno satisfatório.

4) Houve uma breve tentativa do governo de controlar a inflação fazendo pressão sobre os empresários. Há motivo para preocupação?

Eu vivi a hiperinflação, e não há sinais concretos de retorno da inflação. É pontual. A safra vai entrar e os preços do arroz vão cair. Existe sensatez no governo. A demanda aqui e no mundo está muito fraca, não há razão para imaginar que vai ter inflação.

5) A equipe econômica anda recebendo cartão vermelho. Vê risco de a pauta liberal perder força?

Neste momento, todos, Executivo, Legislativo e a equipe do Paulo Guedes, estão conscientes de que vivemos muitos anos de uma economia intervencionista, que nos levou a enormes distorções. Íamos bater na parede. Mas até o (economista liberal americano) Milton Friedman dizia, que em momentos de crise, somos todos Keynesianos (referência ao economista britânico John Maynard Keynes). E Paulo Guedes está dando demonstração disso. Houve um desvio para colocar dinheiro em circulação. Para os vulneráveis, para pequenas e médias empresas, para evitar uma queda tão grande. Não foi dado dinheiro para grandes empresas.

6) Como será o mundo pós pandemia?

O mundo vai ser o mesmo, pois as pessoas são as mesmas. E elas querem viajar, almoçar fora, abraçar e beijar. Mas acho que vamos sair dessa aos poucos, como em um incêndio em que a fumaça vai se dissipando. A transformação digital não é nova. O e-commerce já existia, mas agora com outra intensidade. O home office foi uma descoberta importante, vimos que dá para fazer. Mas não acho que acaba com o presencial.

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