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Brasil O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral se negou a prestar depoimento por videoconferência. Ele disse que prefere falar “olho no olho” com o juiz federal Marcelo Bretas

Político está preso desde novembro de 2016 por comandar um amplo esquema de corrupção. (Foto: Banco de Dados/O Sul)

Alegando ser prejudicado em seu direito de defesa, na tarde dessa terça-feira o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral se negou a responder a perguntas por videoconferência no processo a que responde por lavagem de dinheiro e envio de dinheiro ilícito para o exterior. Na primeira audiência realizada após a sua transferência para o Complexo Médico-Penal de Pinhais, em Curitiba (PR), ele disse que prefere falar “olho no olho” com o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

Preso desde novembro de 2016 por comandar um amplo esquema de corrupção durante o período em que ocupou o cargo (2007-2014), Cabral estava arrolado para depor nessa terça-feira, por meio de videoconferência, mas argumentou que não poderia dar prosseguimento à sessão de interrogatório por não ter contato suficiente com o seu defensor, Rodrigo Roca, baseado no Rio de Janeiro.

“Eu tenho respondido a todas as questões. Mas, neste caso, o meu direito de defesa está prejudicado. Estou há mais de 30 dias em Curitiba, longe de minha família e não tive oportunidade de estar com o meu advogado, pelo fato dele estar respondendo a prazos, alegações finais, razões de apelações feitas na segunda instância”, frisou Cabral. “Não há qualquer preso em Curitiba com 20 processos no Rio de Janeiro.”

Após a sessão, Roca disse que já está apelando ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o seu cliente retorne para o Rio de Janeiro. Na avaliação do advogado, há uma clara “falta de isonomia” entre o tratamento dado ao ex-governador e aos demais presos da Operação Lava-Jato que estão no Rio de Janeiro.

“O que se espera é que seja feito algo factível em termos do exercício da ampla defesa”, protestou o advogado. “Há uma liminar nas mãos do ministro [do STF] Gilmar Mendes e que ainda não foi decidida. Esperamos que nos próximos interrogatórios o ex-governador possa se defender de forma ampla, como prevê a Constituição Federal. É impossível fazer a defesa a contento em uma distância tão grande. Ele está sendo prejudicado de todas as formas.”

Ministério Público

Para o MPF (Ministério Público Federal), porém, a transferência de Cabral foi justificada por irregularidades verificadas na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, onde o ex-governador estaria recebendo benefícios indevidos.

“Até as autoridades penitenciárias se curvavam aos desejos do preso”, ressaltou o procurador federal Leonardo Freitas. “Não é admissível que o carcereiro obedeça ao preso. Por isso ele foi transferido. Quanto ao direito de defesa, foi amplamente garantido: teve o seu advogado aqui, pode estar presente por videoconferência e manifestou sua vontade livremente. Está sujeito às mesmas restrições que todos os presos que se encontram no mesmo local onde está custodiado.”

Outros depoimentos

Antes de Cabral, depuseram outros envolvidos na Lava-Jato. O primeiro a falar foi Carlos Miranda, ex-assessor direto do governo e um dos principais operadores financeiros do esquema. Miranda contou que, no auge das operações, Cabral, ele e o ex-secretário de Governo Wilson Carlos chegaram a manter US$ 100 milhões em contas no exterior, sendo a maior parte do ex-governador. Ele também confirmou depoimentos anteriores, sobre compras de joias e barras de ouro e reiterou que Cabral chefiava a organização criminosa.

Depois de Carlos Miranda, foram ouvidos os irmãos Renato e Marcelo Chebar, doleiros responsáveis por cuidar do dinheiro do grupo, em sua maior parte depositado em diversas contas no exterior. Ambos detalharam como faziam para levar o dinheiro do Brasil para bancos estrangeiros, passando por um outro doleiro, no Uruguai. Segundo eles, após Cabral ter assumido o governo, em 2007, o volume de dinheiro foi se avolumando, o que demandou que “profissionalizassem” o esquema.

Também depôs Sérgio de Castro, o “Serjão”, ex-auxiliar de Cabral e responsável pelas coletas e entregas de dinheiro no Rio de Janeiro. Segundo ele, o máximo que chegou a carregar foi cerca de R$ 120 mil. Serjão foi citado pelos demais apenas como o portador das quantias, sem maiores influências no grupo criminoso. Wilson Carlos também foi convocado a depor, mas se reservou ao direito de ficar em silêncio.

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