Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

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Capa – Caderno 1 Ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter diz que Donald Trump foi eleito de forma ilegítima

Democrata de 94 anos comandou a Casa Branca entre 1977 e 1981. (Foto: Reprodução)

O ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, afirmou que o atual chefe da Casa Branca, Donald Trump, só foi eleito presidente porque a Rússia interferiu a seu favor na eleição de 2016. “Uma investigação completa mostraria que o candidato republicano não ganhou de fato aquele pleito”, disparou o democrata de 94 anos, que exerceu o cargo de 1977 a 1981.

“Não há dúvida de que os russos realmente interferiram na eleição. E eu acho que a interferência, embora ainda não quantificada, se totalmente investigada, mostraria que Trump não venceu a eleição em 2016”, reiterou Carter. “Ele perdeu a eleição e foi colocado no cargo porque os russos interferiram em seu nome.”

As declarações foram feitas durante uma conferência organizada em Leesburg, no Estado norte-americano da Virgínia, pela sua organização Carter Center, uma entidade sem fins lucrativos. Questionado se ele acredita que Trump é um presidente ilegítimo, Carter fez uma pausa por um momento. “Baseado no que acabei de dizer, que não posso mais retirar”, respondeu, provocando risos no público.

O procurador especial Robert Mueller comandou uma investigação e concluiu que a Rússia interferiu nas eleições de 2016 a favor de Trump. O relatório final sobre o caso, contudo, afirma que a campanha do republicano não atuou ao lado das autoridades de Moscou. Mueller também revelou que o presidente americano tentou em diversas ocasiões interferir na investigação, mas não concluiu se as ações seriam suficientes para acusar Trump criminalmente por obstrução de Justiça.

Até agora, Jimmy Carter cultivava um bom relacionamento com Donald Trump. Embora já tenha feito críticas à política externa de Trump e o acusado de aprofundar as divisões raciais nos Estados Unidos, o ex-presidente também já mostrou disposição de ajudar o atual mandatário.

O democrata aceitou conversar por telefone com Trump em abril – a primeira vez que os dois se falaram – para discutir as negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Também se ofereceu para viajar para a Coreia do Norte a fim de se reunir com Kim Jong-un em nome do atual governo.

Em 2017, Carter disse ao jornal The New York Times que a imprensa era “mais dura com Trump do que qualquer outro presidente”. Nesta sexta, porém, o ex-presidente foi extremamente crítico às políticas do atual chefe da Casa Branca. Carter adotou um tom duro em relação às políticas imigratórias do presidente e à forma como a atual administração vem lidando com a Arábia Saudita.

Sauditas

O democrata afirmou que os Estados Unidos vêm defendendo “tortura e sequestro de crianças pequenas” e chamou a política imigratória americana de “uma desgraça”. Carter também criticou a resposta do governo ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi por agentes do governo saudita em outubro do ano passado em Istambul.

Questionado sobre como sua administração teria respondido, o ex-presidente disse que teria pressionado por uma maior prestação de contas da Arábia Saudita. Na semana passada, a ONU (Organização das Nações Unidas) publicou um relatório que mostra haver evidências de que o príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman e outras autoridades de Riad estão envolvidos no incidente.

O jornalista foi morto no consulado saudita em Istambul. O reino acusou onze pessoas pelo assassinato e realiza o julgamento a portas fechadas. A identidade dos réus não foi divulgada.

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