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Mundo O excesso de chamadas de vídeo gera fadiga entre executivos

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O home office hoje se tornou sinônimo de muitas novas práticas. (Foto: Reprodução)

Um levantamento do instituto de pesquisa e monitoramento de mercado Hibou com 1,5 mil brasileiros das classes A, B e C mostrou que, mesmo quando puderem voltar a trabalhar fora de casa, 57% dos profissionais gostariam de continuar em home office. E home office hoje se tornou sinônimo de muitas novas práticas, das quais a chamada em vídeo talvez seja a mais difundida – e também a mais polêmica.

Se em um primeiro momento o recurso da webcam serviu até de consolo para quem sentiu um impacto emocional mais intenso com o distanciamento social, agora as empresas precisam ficar atentas aos excessos. Segundo a psicóloga Ana Carolina Peuker, CEO da Bee Touch, startup de mensuração digital de risco psicológico que criou até um “estressômetro” durante a pandemia, está se popularizando um novo termo no meio: a “zoom fatigue”. “A expressão na verdade se refere à exaustão causada pela interação social intermediada pela tela do computador, independentemente da plataforma usada”, diz.

Ela explica que uma simples conversa já demanda a decodificação de muitos sinais, como tom de voz e expressões faciais, que percebemos de forma inconsciente. Quando isso acontece de forma online, o desafio para o cérebro é maior. “São muitos sinais para serem decodificados em meio a questões como falha na conexão, delay, coisas que deixam tudo muito truncado e difícil para o cérebro. É uma demanda imensa do ponto de vista cognitivo.”

Outro fator agravado pelas videoconferências corporativas, de acordo com a psicóloga, é a síndrome do impostor, que afeta principalmente profissionais que exigem muito de si mesmos e têm grande receio de falhar. “A pessoa se vê observada e avaliada o tempo todo e, mesmo que seja capacitada, ela se sente uma fraude”, define. “A sensação é a de que tem uma câmera gigante percebendo tudo e que ela vai ser desmascarada a qualquer momento, apesar disso não corresponder à realidade.”

Para que o vídeo continue a ser um facilitador para a carreira, em vez de se tornar uma espécie de penetra indesejado, Peuker acredita que seja a hora de estabelecer uma espécie de etiqueta. Ela fala que há possibilidade de a pessoa não se sentir à vontade com a videochamada, por exemplo, por não querer mostrar o próprio ambiente.

“Por outro lado, será possível aceitar que um colaborador nunca abra a câmera?”, questiona. “As empresas vão ter que se dedicar a essa questão em cocriação com os colaboradores, não pode ser só de cima para baixo.”

Por atuar com certificação de produtos, serviço tido como essencial, a Intertek, empresa presente em mais de 100 países, abraçou a prática das chamadas em vídeo desde o início da pandemia. As regras, no entanto, foram prontamente colocadas.

“De cara já estabelecemos reuniões online semanais com os clientes, com limite de horário, duração e número de pessoas, procurando sempre ter um representante de cada setor”, conta o diretor-geral Helio Simões. “Com isso conseguimos diminuir o estresse dos gargalos operacionais, que envolvem atividades desempenhadas no porto, por exemplo.”

Internamente, o executivo procurou nortear as videoconferências com a mesma disciplina. Foi definida uma agenda para o ano todo, com reuniões periódicas que têm dia e hora fixos, para que os colaboradores possam se programar. “Eles sabem, por exemplo, que terão reunião comigo toda terça às 10h e deixam a agenda travada”, diz.

Quando surge a demanda de uma reunião que não estava prevista, eles procuram avisar os participantes com 48 horas de antecedência, justificando a necessidade por e-mail e sugerindo um horário que combine a agenda de todos.

“Há muitos funcionários que estão tendo que dividir atenção com a família, funcionária que está amamentando”, observa o diretor. “A gente procura respeitar a individualidade e a condição de cada um.”

Colocar limites claros na realização de calls também foi a solução da Unilever para não sobrecarregar os colaboradores. A companhia lançou as chamadas “regras de ouro”, que vetaram reuniões entre 12h e 13h30 e após as 18h, estabeleceram um intervalo mínimo de 10 minutos entre uma chamada e outra e determinaram que o expediente de sexta-feira se encerre às 16h, dando um respiro a todo o time.

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