Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de maio de 2018
O Facebook informou nesta terça-feira (15) que apagou 583 milhões de contas falsas apenas nos três primeiros meses do ano, geralmente minutos após a criação. O número corresponde a algo como 3% a 4% de seus usuários mensais. A rede social também anunciou que agiu em 2,5 milhões de postagens com discurso de ódio e tirou do ar 865,8 milhões de posts no primeiro trimestre: a maioria de spams, mas muitos de nudez, violência, discurso de ódio e terrorismo. As informações são do jornal O Globo e das agências internacionais de notícias.
O relatório, com 86 páginas, é a primeira grande divulgação de como vem colocando em prática sua política para divulgação de conteúdo. As práticas do Facebook foram colocadas em xeque este ano após o escândalo por causa da privacidade dos dados e do impacto de conteúdo prejudicial em seus 2,2 bilhões de usuários mensais, com questionamentos de governos de todo o mundo.
O relatório desta terça-feira será agora divulgado duas vezes por ano e mostra também como os sistemas de inteligência artificial do Facebook são capazes de detectar publicações que burlam as regras antes mesmo de alguém conseguir vê-las.
As estatísticas mostram que as soluções computadorizadas lidam melhor com algumas questões que outras. Quase 100% dos casos de spam e 96% dos casos de nudez foram detectados com ajuda de tecnologia antes mesmo de reclamações dos usuários. Mas isso só ocorreu em apenas 28% das situações de discurso de ódio. As mensagens de discurso de ódio são mais difíceis de serem decifradas.
“É sempre um trabalho em andamento. Essas são as mesmas métricas que usamos internamente para guiar o trabalho das equipes. Estamos dividindo aqui porque acreditamos que precisamos ser transparentes”, disse Guy Rosen, vice-presidente de administração de produtos do Facebook.
Apesar do avanço da inteligência artificial em lidar com conteúdos problemáticos, pessoas que trabalham como revisoras das políticas do Facebook ainda precisam concluir o trabalho. Uma foto de nudez, por exemplo, pode ser tanto pornografia quanto arte, e olhos humanos geralmente conseguem distinguir a diferença. A companhia espera que cerca de 20 mil pessoas trabalham com moderação de conteúdo até o fim do ano.
Aplicativos suspensos
Em uma resposta ao escândalo criado em torno do uso de dados da rede social pela consultoria política Cambridge Analytica, o Facebook suspendeu até agora cerca de 200 aplicativos na primeira fase da investigação sobre apps que tiveram acesso a grandes quantidades de informações.
A investigação quer determinar se os aplicativos utilizaram de maneira irregular os dados, disse Ime Archibong, vice-presidente de parcerias de produtos do Facebook.
O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou a investigação em 21 de março, quando afirmou que a rede social vai analisar todos os aplicativos que tiveram acesso a grandes quantidades de dados antes da empresa ter reduzido o acesso em 2014.
A investigação começou depois que foi revelado que a consultora Cambridge Analytica se apropriou dos dados de cerca de 87 milhões de usuários da rede social, enquanto trabalhava para a campanha presidencial de Donald Trump em 2016.
“A investigação continua”, afirmou Ime Archibong, vice-presidente de produtos associados ao Facebook, em um comunicado publicado on-line.
Os comentários estão desativados.