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Brasil O fechamento de frigoríficos americanos, a retomada da economia chinesa e o comportamento do dólar podem impulsionar as vendas da carne brasileira

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Linha de produção da JBS: exportadoras reforçam cuidados contra coronavírus para manter atividades. (Foto: Divulgação)

Nas últimas semanas, ao menos 20 unidades de frigoríficos fecharam nos Estados Unidos após casos  de coronavírus, segundo levantamento do jornal The Washington Post. Na última semana, o presidente Donald Trump determinou que as empresas devem permanecer em atividade para evitar problemas de abastecimento.

A oferta menor do produto nos EUA e a retomada da economia chinesa devem beneficiar as exportadoras brasileiras de carne. Além disso, há espaço para a conquista de novos clientes, em razão da menor disponibilidade do produto. Os EUA são líderes mundiais na produção de carne bovina, mas o Brasil é o maior exportador, com vendas de US$ 7,57 bilhões em 2019, recorde histórico.

“Os EUA sem dúvida vão ter necessidade de importação de carne bovina, tanto pela redução de abates tanto pela queda de exportações da Austrália para lá”, avalia Edison Ticle, diretor financeiro da Minerva, terceira maior produtora de carne bovina do país.

Esse cenário já entrou no radar das agências de classificação de risco. A Standard & Poor’s observou que o fechamento mais prolongado de frigoríficos nos EUA pode levar a uma escassez de carne no país.

No caso dos suínos, os frigoríficos fechados até agora já representam mais de 15% da produção, diz a S&P. Mas houve também fechamento de plantas importantes de carne bovina, lembra a agência, citando a JBS USA  que paralisou uma unidade em Greeley, Colorado, por cerca de duas semanas e outra em Souderton, na Pensilvânia. Procurada, a JBS USA não retornou.

“Com base nas previsões de produção total da indústria pelo Departamento de Agricultura dos EUA e nos estoques existentes, estimamos que a escassez de produtos possa ocorrer se 10% da produção doméstica projetada for interrompida por quatro a seis semanas seguidas”, escreveram os analistas da S&P, Chris Johnson e Flávia Bedran.

Eles lembram que no Brasil também houve paralisações de cerca de dez frigoríficos, mas a produção foi retomada rapidamente, depois que as empresas implementaram medidas de segurança. Para continuar funcionando, as companhias adotaram o afastamento de funcionários suspeitos de contaminação ou que estão em grupos de risco, vacinação antecipada contra gripe, uso de máscaras e equipamentos de segurança, além de maior espaçamento nas linhas de produção e nos refeitórios.

A S&P prevê que o Brasil se beneficiará da recuperação de volumes e preços de exportação, principalmente com a reabertura da economia chinesa, o que deve compensar a queda no consumo doméstico. Além disso, as empresas brasileiras se beneficiam da alta do câmbio. No ano, o dólar já subiu mais de 35% frente ao real.

“Se o consumo interno desaqueceu no Brasil, no exterior ele é crescente. Há oportunidades de novos negócios, inclusive nos mercados para onde os EUA vão deixar de exportar suínos”, diz Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa o setor de suínos e frangos. Segundo Turra, entre os 500 mil trabalhadores do setor que atuam em fábricas houve menos de 100 casos de Covid-19.

Ele lembra que a exportação de frangos cresceu quase 9% no primeiro trimestre, mas a de suínos subiu 32% na comparação com o mesmo período de 2019. Só a China, importou um volume 190% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado.

“Novos focos de influenza (gripe aviária) foram observados recentemente próximos a províncias que produzem cerca de 29% de suínos na China. E apesar dos avanços na contenção da peste suína, ainda levará tempo para que a produção seja toda restaurada naquele país”, disse Osler Desouzart, consultor do setor e ex-executivo de Sadia e Perdigão.

Na Minerva, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, a expectativa é elevar as exportações no segundo trimestre com o crescimento da demanda e redução da oferta. Nos três primeiros meses do ano, 68% das receitas da empresa vieram das vendas externas. A empresa já observou um aumento da demanda dos EUA por carne bovina e tem unidades no Brasil, Argentina e Uruguai habilitadas para vender ao mercado americano.

“Só da divisão Brasil, houve crescimento de 20% do volume de exportações totais no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2019. Se para a Europa as vendas caíram, países como Arábia Saudita e Emirados Árabes estão recompondo estoques, preocupados com a segurança alimentar”, disse Ticle.

Com o uso de equipamentos de segurança e maior distanciamento, as linhas de produção reduziram a velocidade e o volume de abate. Mas em algumas unidades, a Minerva adotou o segundo turno de trabalho para compensar.

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