Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2018
O Google, empresa da holding Alphabet, informou que construirá três novos cabos submarinos para expandir sua infraestrutura para clientes de computação em nuvem. A companhia investiu 30 bilhões de dólares em infraestrutura nos três últimos anos. Ela informou que os planos são encomendar três cabos submarinos até 2019.
Serão o Marie Curie, cabo privado conectando Chile a Los Angeles, nos EUA; o Havfrue, cabo de um consórcio que conecta os EUA a Dinamarca e Irlanda; e o sistema de cabo Hong Kong-Guam, cabo de um consórcio que liga os principais centros de comunicação submarina na Ásia.
Os cabos submarinos formam a espinha dorsal da Internet ao carregarem mais de 90% do tráfego de dados do mundo. As companhias encarregadas dos cabos são TE SubCom, unidade da TE Connectivity, e a NEC, de acordo com o Google. A empresa informou que tem investimento direto em 11 cabos, incluindo aqueles planejados ou em construção.
Como funcionam
Para que os dados sejam passados de um continente para o outro, os cabos funcionam de forma complexa. Para simplificar, suponha que você enviou uma mensagem de e-mail para algum amigo. Essa mensagem, então, é convertida em dados criptografados que viajam do seu modem para o provedor de internet e, em seguida, para uma rede de conexões.
A rede de conexões, por sua vez, transporta os dados até o backbone, a chamada “espinha-dorsal da internet”. Esses backbones correspondem a rede de cabos de internet. Ou seja, eles são as estradas que carregam as informações.
Transporte rápido
A velocidade de tráfego é extremamente alta. Somente assim uma mensagem enviada do Brasil chegaria ao Japão de forma praticamente instantânea com serviços como Facebook, WhatsApp e outros.
Atualmente a velocidade média de transmissão de dados pelos cabos é de aproximadamente 4 Tbps (terabits por segundo). Há projetos em andamento que prometem multiplicar esse número.
De acordo com o portal TeleSíntese, a empresa Seaborn Networks, por exemplo, concluiu em janeiro a captação de US$ 500 milhões para a construção de um cabo que ligará São Paulo até Nova York, nos Estados Unidos, com a transmissão de dados ocorrendo em 72 Tbps.
O Google também tem seus projetos que envolvem cabos de 60 Tbps entre os Estados Unidos e Japão. Para efeito de comparação, a empresa de tecnologia afirmou que a velocidade de 60 Tbps é cerca de 10 milhões de vezes mais rápida do que a taxa de tráfego de dados de um modem convencional.
Seguros?
Uma das formas de roubar informações de usuários consiste em interceptar o trajeto dos dados utilizando ferramentas que criam “desvios” nos cabos submarinos. Não é incomum ver notícias de que a Marinha dos Estados Unidos está realizando investigações para procurar adulterações nas ligações.
E isso não é uma novidade. No final da década de 1950, havia a suspeita de que navios russos estariam interceptando as comunicações norte-americanas. Anos depois, já nos anos 1970, durante a Guerra Fria, a “Operação Ivy Bells”, como ficou sendo chamada, consistiu em uma ação secreta de departamentos ligados a segurança nacional dos Estados Unidos para explorar as comunicações soviéticas que eram transmitidas pelos cabos.
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