Domingo, 18 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de maio de 2018
O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), informou ter adiado para desta terça-feira para quinta-feira o acordo com caminhoneiros, após o governo do presidente Michel Temer admitir que não consegue garantir o congelamento do preço do diesel por 60 dias.
Em entrevista coletiva na noite desse domingo, ele detalhou as aspectos da reunião que teve com representantes do Executivo federal e do movimento grevista, que completa uma semana nesta segunda-feira.
As principais reivindicações – o aumento do prazo de desconto de 30 para 60 dias e o desconto no diesel na bomba – não foram atendidas. França afirmou ter negociado com o Palácio do Planalto o aumento do desconto para R$ 0,46 nas refinarias, mas ainda não conseguiu passar a oferta para a categoria em seu Estado.
O governador paulista disse que tentará falar novamente com Temer para entender as razões para a recusa das propostas encaminhadas no sábado. “É necessário estabelecer um teto mínimo para o aumento do combustível”, defendeu.
Ele chamou a atenção para o fato de ainda existirem 296 manifestações ativas. Por outro lado, assegurou que todos os serviços públicos estão garantidos.
Já no que se refere ao ponto facultativo em órgão públicos nesta segunda-feira, o governador argumentou que esse tipo de medida pode causar o desaquecimento da economia. Ele também projetou um fim próximo para o impasse gerado pela paralisação dos caminhoneiros no Estado: “Falta um pouquinho para a solução”.
Marun
O ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) havia dito que retornaria a São Paulo no domingo para finalizar o acordo, mas desmarcou a viagem. Sobre a impossibilidade admitida por Temer para ampliar o prazo de congelamento, o governador Márcio França disse supor que isso tenha ocorrido “por algum tipo de insegurança” em relação ao preço do combustível internacional.
“Em Brasília, eles afirmam e reafirmam que o preço chegou no pico e que vai cair, por isso seria bobagem exigir essa garantia. Mas nesse sábado falamos: ‘Bom, o governo federal garante que fica 46 centavos a menos. Se cair, os senhores baixam o preço do litro. Se subir, os senhores não sobem. Mas deve ter algum entrave na Fazenda ou no Planejamento ou questão jurídica”, prosseguiu França.
Por telefone, Marun disse ao governador paulista que conseguiria ampliar a refução de 41 centavos para 46 centavos por litro de diesel, cobrado na bomba, portanto, repassando o desconto ao motorista.
França, porém, relatou que não houve tempo de repassar o recado aos caminhoneiros, que já tinham deixado o Palácio dos Bandeirantes. “Faltou muito pouco”, lamentou.
Com isso, a greve não deve acabar em São Paulo até pelo menos quinta-feira. França disse que, desde o início das negociações, no sábado, o número de paralisações caiu de 200 para 46 e o de homens parados, de 13 mil para 1,3 mil. “A mobilização se manterá no tamanho atual em acostamentos e canteiros, sem obstruir pistas”, ressalvou.
O governador disse que, se duas medidas forem votadas no Congresso Nacional no início desta semana, isso poderá facilitar o acordo. O primeiro, que será votado pelo Senado, prevê um preço mínimo para o frete (Projeto de Lei nº 121). Já o segundo, em tramitação na Câmara dos Deputados, estabelece a Lei Geral de Transporte.
Outro ponto em negociação foi fechado, segundo França. O governo federal deve editar uma medida provisória, nas próximas horas, garantindo compensação a todos os Estados pela isenção de pedágio por eixo suspenso (trechos vazios dos caminhões). Em São Paulo, a medida deverá custar R$ 50 milhões por mês.
Ainda segundo o governador, a redução de manifestantes provou que há vontade da parte dos caminhoneiros de encerrar a greve, mas será necessário dar garantias de que eles terão melhorias no trabalho.
“Você sente quando é truque”, afirmou. “Mas se você põe na ponta do lápis, eles não conseguem ter o mínimo de lucro, mal conseguem comer no trajeto. Não há manifestação que dure muito tempo se não tiver fundamento muito forte.”
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