Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de novembro de 2017
O governo argentino destacou neste domingo (26) que sua “única preocupação” é encontrar o submarino desaparecido há 11 dias no oceano Atlântico com 44 tripulantes a bordo e pediu que sejam evitadas “especulações” sobre a investigação realizada na cúpula da Marinha.
“Fizemos e vamos seguir fazendo o impossível para encontrar o submarino, e o compromisso é que até o encontremos não vamos deixar de buscar”, afirmou o ministro de Defesa, Oscar Aguad, em seu primeiro comparecimento público desde que foi perdido o contato com o ARA San Juan, em 15 de novembro.
Durante uma visita à base naval Porto Belgrano, a principal da Marinha, situada na província de Buenos Aires, Aguad insistiu que as autoridades políticas e militares do país austral estão dedicadas a “encontrar a embarcação” e apoiar as famílias, segundo informou a pasta de Defesa em comunicado.
Após ser consultado pela investigação dos altos comandantes da força naval realizada pelo Executivo, o funcionário desmentiu a abertura de 40 expedientes – como tinham revelado fontes do governo – e apontou que só iniciaram “um sumário administrativo, que corresponde de acordo com a lei para investigar o que aconteceu”.
Além disso, insistiu que o governo e Marinha estão “trabalhando em equipe” e não houve “nenhuma diferença” com seu titular, Marcelo Srur, que, segundo disse, tem “absolutamente” todo seu apoio.
A busca, na qual participam 14 navios e três aeronaves de 13 países de todo o mundo, está concentrada entre 200 e mil metros de profundidade na zona na qual foi feito o último contato com o submarino pela última vez, no Golfo San Jorge, a 432 quilômetros do litoral patagônia argentina.
Nesse sentido, o ministro destacou que está sendo realizado um “grande trabalho de busca”.
“Perdi as esperanças”
Para Carlos Zavalla, que foi o primeiro comandante do ARA San Juan, o que fica do submarino argentino desaparecido ARA San Juan é orgulho. Zavalla acompanhou a construção da embarcação entre 1983 e 1985, na Alemanha. “Levo boas lembranças do San Juan. Desenhei seu escudo com meu irmão já falecido”, disse em entrevista à revista Veja, por telefone.
O militar aposentado entende bem das dificuldades de buscas em alta profundidade e tem poucas esperanças de que encontrem a embarcação.
Confira trechos da entrevista:
Desaparecimento
“Quando escutei a primeira notícia, vi que muita gente começou a falar o que não sabia. O primeiro que pensei foi na família dos tripulantes, pois até um primeiro momento tratava-se de um problema de comunicação. Era única coisa concreta e deveríamos ter esperanças.”
Explosão
“Entendi que as esperanças de encontrar os tripulantes estavam perdidas. Compreendi que com essa explosão, ele teria sido destruído. O que me reconforta é que os tripulantes não sofreram na morte. Foi rápido. Não espero por um milagre. Eu perdi as esperanças. Agora, já não há mais sinais de que podem estar vivos.”
Buscas
“O fundo mar não é uma coisa lisa. Está cheia de penhascos submersos. É possível que por pura sorte o encontrem rápido, mas deve levar muito tempo. Podem não encontrá-lo. Exigirá muita perseverança em um ambiente muito difícil.”
Destino do ARA San Juan
“Sinto muita pena, me custa a processar essa perda. O submarino estava cumprindo sua tarefa e agora sinto que não vou mais vê-lo. Nada vai tirar de mim a felicidade de ter construído e estado nele. De ter desenhado o seu escudo com meu irmão, que já faleceu. É uma boa lembrança que carrego comigo. O que fica do submarino é orgulho.”
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