Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de fevereiro de 2018
O governo federal deve começar em 15 dias a transferência de venezuelanos que estão atualmente em Roraima e estejam em condições de trabalhar, disse nessa quarta-feira a subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Natália Marcassa.
O governo começa nos próximos dias um processo de triagem e de vacinação da população venezuelana que entrou no país nas últimas semanas em busca de trabalho. Segundo Natália, depois do período de efeito da vacina, o governo iniciará a transferência das pessoas aptas a trabalhar e dispostas a sair da região.
Até agora, informou Natália, o governo já tem oferta de 350 vagas em São Paulo e 180 no Amazonas. Segundo o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, cerca de 40% dos imigrantes, pelo que o governo conseguiu registrar até agora, é de homens solteiros em busca de trabalho.
“Ali temos três tipos de pessoas. As que vem buscar comida para família, ou medicamentos ou tratamento de saúde, as pessoas que vieram para ficar ali na região, especialmente famílias indígenas, e aqueles que querem se internalizar para cidades onde possam ter ocupação”, disse o ministro.
As contas do governo de Roraima apontam para a entrada de cerca de 800 venezuelanos por dia no Estado em busca de trabalho e ajuda, e atualmente cerca de 40 mil estão na capital Boa Vista. O governo inicia nos próximos dias uma triagem mais efetiva para saber a formação e a experiência dos imigrantes e qual a disposição deles de sair da região para outros Estados.
Segundo Padilha, o governo calcula um gasto em Roraima de 70 milhões de reais em alimentos e medicamentos, especialmente, incluindo vacinas que serão aplicadas na população e nos venezuelanos, que estão fugindo de seu país por causa da crise econômica.
Brasil e Colômbia
Representantes dos governos do Brasil e da Colômbia se reuniram no Palácio Itamaraty, para discutir os impactos do aumento do fluxo migratório de venezuelanos para os dois países. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, os países trocaram experiências e informações de como aprofundar a colaboração para atender a essa “emergência social”.
“Além de algo permanente, que é a cooperação transfronteiriça, temos esse problema emergencial. É um surto muito volumoso de migração forçada de venezuelanos que vêm no rumo de nossos países”, disse o chanceler brasileiro, em declaração à imprensa.
De acordo com Aloysio Nunes, o desejo dos países latino-americanos é que a Venezuela reencontre “seu caminho para a democracia”, com “o pronunciamento livre do povo nas urnas”.
Segundo a chanceler colombiana, María Ángela Holguín, os dois países querem “manter as portas abertas” para ajudar os venezuelanos que estão migrando em uma situação difícil. “Isso gera um desafio maior para os países. Queremos dar condições para os venezuelanos de viver de forma tranquila nos nossos países”, afirmou.
O Brasil vive uma situação complexa com a vinda de cidadãos venezuelanos para a região Norte, em especial no estado de Roraima. Segundo estimativa da prefeitura de Boa Vista, mais de 40 mil pessoas do país vizinho chegaram à cidade, o que corresponde a mais de 10% da população local.
Na segunda-feira (19), o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, disse que se comprometeu com o presidente Michel Temer a buscar apoio da comunidade internacional para ajudar o Brasil na resposta à situação da imigração venezuelana para o país após reunião no Palácio da Alvorada.
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