Quarta-feira, 27 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil O governo federal separa o “PIB público” do “PIB privado” para mostrar que o País vai bem

Compartilhe esta notícia:

Os dados são elaborados por técnicos do Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento. (Foto: Divulgação)

Na tentativa de mostrar que a economia do País vai bem, a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República apresentou em suas redes sociais um recorte do PIB (Produto Interno Bruto) que não é usado pelo IBGE.

A estratégia é questionada por especialistas. A Presidência afirma que o PIB privado cresceu 2,75%, enquanto o PIB público recuou 2,25%.

A publicação, que cita o Ministério da Economia como fonte, afirma que no modelo adotado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Estado deixa de ser protagonista e dá espaço à iniciativa privada.

A publicação da Secom afirma que o resultado “fica abaixo do índice de mentiras de quem torce contra o Brasil” e que o recuo do PIB público é “bom pro Brasil”.

De acordo com a professora de Economia da USP (Universidade de São Paulo) Laura Carvalho, a conta feita pelo governo não é reconhecida pelo IBGE e não é feita por outros órgãos estatísticos no mundo. “Isso fere os princípios básicos do conceito de PIB, que exige que se trate a economia como um todo”, disse.

A economista afirma que a conta é ideológica e traz problemas metodológicos.

Essa separação cria distorções, segundo ela, porque, muitas vezes, bens produzidos pelo governo são consumidos pelas famílias. Produtos de empresas também são usados pelo governo, como na compra de medicamentos pelo SUS, por exemplo.

Outro problema, para a pesquisadora, estaria no fato de o cálculo do governo incluir investimentos de estatais na conta do setor privado.

A professora também questiona o argumento do governo de que o crescimento privado está substituindo o setor público.

“Não é que houve uma alocação melhor de recursos. É simplesmente que o governo está com menos recursos e está investindo menos, gastando menos com infraestrutura. Isso não tem de ser celebrado”, afirmou.

O cálculo também foi criticado pelo economista da FGV e ex-secretário de Política Econômica Manoel Carlos Pires. Para ele, a divisão entre PIB público e privado não faz sentido.

“Essas coisas não são separáveis nesses termos. Quando o governo usa recursos para investir, de maneira geral, quem produz o bem de capital ou faz a construção é o setor privado, que é contratado para produzir esse tipo de bem ou de serviço. Por essa razão, essa abordagem está errada. Não existe PIB do governo”, afirmou em artigo que analisa o estudo da SPE.

O economista e professor da Unb (Universidade de Brasília) Roberto Ellery, que chegou a colaborar com a equipe econômica de Bolsonaro, também é crítico do modelo. Em artigo, ele afirma não ser novidade que o consumo do governo cresça menos do que o consumo das famílias e do investimento.

Em uma análise histórica, o economista afirma que dos últimos 23 anos, 15 registraram crescimento menor do consumo do governo, em comparação com o consumo das famílias.

Além de questionar pontos metodológicos do cálculo, ele ressalta que o esforço do governo atual em fazer reformas ainda não é sentido nas contas.

“Os frutos desse esforço ainda vão demorar um bocado para aparecer. Entendo que exista uma tentação para mostrar resultados, mas é preciso tomar cuidado”, afirma.

Em nota, o Ministério da Economia disse que o fato de o IBGE não calcular esse indicador não tem relação com sua validade e que os conceitos de PIB público e privado, apesar de menos difundidos, não são novidade em análises macroeconômicas.

“A SPE se baseia em estudos técnicos e refuta qualquer afirmação de que seu corpo de analistas elabore indicadores não amplamente fundamentados na teoria econômica”, diz a nota.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, se recusa a assinar o projeto de lei que viabilizou um acordo com o Congresso
Os prejuízos causados pela falta de chuva no Rio Grande do Sul, terceiro maior Estado produtor de grãos, poderão ser ainda maiores
Pode te interessar