Sexta-feira, 05 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de abril de 2018
O governo federal lançará no começo de maio uma ofensiva publicitária para tentar alavancar a popularidade do presidente Michel Temer, que amarga um alto índice de rejeição. Mesmo com 2% de intenção de votos em sondagens eleitorais, ele ainda sonha com a candidatura a um segundo mandato, mas precisa melhorar a imagem de sua gestão, ao menos para se impor como “cabo eleitoral” e garantir o lugar do MDB no segundo turno do pleito.
Com peças maciçamente divulgadas em rádio, TV e internet, o mote da campanha deve ser “os dois anos que salvaram o Brasil”. E os marqueteiros adotaram uma estratégia ousada para capitalizar a favor de Temer um bordão que quase o derrubou o seu governo: “Tem que manter isso, viu?”. A frase foi dita por ele ao megaempresário Joesley Batista, da JBS/Friboi, que o gravou a conversa entre ambos durante encontro nebuloso no Palácio do Jaburu.
Essa fala foi interpretada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) como um aval do presidente para que a JBS/Friboi comprasse o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (preso pela Operação Lava-Jato) e embasou a primeira denúncia contra o chefe do Executivo. A acusação acabaria barrada por uma expressiva maioria na Câmara.
Em poucos meses, no entanto, uma reviravolta beneficiou Temer, com a prisão dos irmãos Joesley e Wesley Batista, ambos delatores, acusados de montar uma farsa contra o governo.
É com base nesses fatos que os publicitários vão investir no bordão para explorar números positivos da gestão Temer: “A inflação está em 2,8%, tem que manter isso, viu?” ou “Os juros caíram para 6,5% ao ano. Tem que manter isso, viu?” ou “Os empregos estão voltando. Tem que manter isso, viu?”.
Todo esse esforço visa associar os resultados positivos do governo à imagem do próprio Temer. Pesquisas qualitativas encomendadas pelo Palácio do Planalto mostram que apesar de melhorias na economia, como a redução do preço de alimentos básicos, a queda ostensiva da inflação e dos juros e a retomada dos empregos, os brasileiros não atribuem ao chefe do Executivo essas realizações.
O governo corre para intensificar a propaganda, que não poderá ser veiculada a partir de julho. A lei eleitoral proíbe gastos com publicidade e veiculação de peças relativas às ações do governo nos três meses que antecedem as eleições.
O que pode embaçar a campanha é o fantasma de uma terceira denúncia que seria apresentada pela PGR, mas que o Planalto rechaça. Auxiliares de Temer afirmam que não há elementos no inquérito em que ele é investigado, no STF (Supremo Tribunal Federal), que sustentem uma nova denúncia.
Isso porque o decreto assinado por Temer que favoreceu empresas do setor portuário, alvo da investigação, não alcança os contratos da Rodrimar, empresa que o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures (o “deputado da mala” de R$ 500 mil) queria beneficiar.
Além disso, não há previsão de conclusão do inquérito no curto espaço de tempo, já que a polícia federal deve pedir a prorrogação das investigações por mais 60 dias, adiando o eventual desfecho para julho.
Base aliada
Em outra frente, Temer se sente resguardado por sua base de apoio no Congresso Nacional. Embora tenham sido frustradas as negociações para antecipar o apoio dos aliados a uma chapa encabeçada pelo MDB, com o reforço do tempo de propaganda na TV, o presidente tem garantido o respaldo da base mediante a preservação dos partidos nos respectivos ministérios.
As três agências de propaganda que atendem o Planalto (NBS/PPR, Calia/Y2 e Artplan) foram mobilizadas para a campanha. E essa estratégia, obviamente, custará dezenas de milhões de reais ao orçamento da Secretaria de Comunicação do governo.
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