Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2019
Apesar das estimativas de economistas que indicam uma reforma da Previdência capaz de economizar entre R$ 600 bilhões e R$ 700 bilhões após negociações com o Congresso, o secretário de Desestatização, Salim Mattar, afirmou que o governo ainda espera poupar R$ 1 trilhão em dez anos com as novas regras. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
“Acreditamos que a sensatez estará no Congresso na hora da votação e que a reforma não será desidratada”, disse Mattar em evento do Itaú em São Paulo. Ele afirmou ainda que os parlamentares precisam priorizar a votação da proposta.
A reforma da Previdência tramita na Câmara, e o governo já indicou que cederá em alguns pontos para sua aprovação.
Mattar voltou a defender as privatizações no governo e afirmou que seu objetivo para 2019 é arrecadar US$ 20 bilhões com desestatizações, meta anunciada pelo ministro Paulo Guedes em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial.
Também em janeiro, o secretário havia afirmado que superaria o valor em ao menos 25%.
Salim Mattar afirmou que já conseguiu arrecadar US$ 12 bilhões (cerca de R$ 47 bilhões) com privatizações e desestatizações até agora. Incluiu na conta, porém, concessões de portos e aeroportos previstas desde o governo Temer.
O secretário disse ainda que pretende convencer membros do governo a privatizar todas as 134 estatais federais, inclusive Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.
Ao comentar o número de estatais no setor financeiro, afirmou que “o governo não quer competir com bancos, não é função dele emprestar dinheiro” e defendeu que a concessão de crédito por estatais, que hoje representa 60% do mercado, segundo ele, deve diminuir.
Mattar defendeu também a capitalização da Eletrobras. “O governo não tem recursos para investir na empresa, que precisa de algo entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões ao ano para fazer investimentos. Neste ano, vai investir R$ 4 bilhões.”
Cálculos detalhados
Dois meses após apresentar a proposta, o governo ainda precisa fazer os cálculos detalhados sobre o impacto de cada medida da reforma da Previdência.
O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse que, na quinta-feira (25), a equipe econômica irá divulgar parte desses dados, mas contas ainda precisam ser realizadas.
“É na comissão especial que nós vamos apresentar o conjunto dos documentos até porque a desagregação significa impactar o modelo que está sendo utilizado. Cálculos precisam ser feitos. Houve vários pedidos de deputados de esclarecimentos. Nós estamos atendendo a esses pedidos. Não há da nossa parte dificuldade em ter transparência nesse processo”.
Reportagem publicada no domingo (21) pela Folha de S.Paulo mostrou que a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, vinculada ao ministério, blindou esses papéis.
A decisão consta de resposta a pedido do jornal, formulado com base na Constituição e na Lei de Acesso à Informação (LAI), cujo objetivo é o de conhecer com mais profundidade estatísticas, dados econômicos e sociais que sustentam o texto em tramitação no Congresso.
A solicitação foi enviada ao governo em 12 de março e negada em 15 de abril.
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