Terça-feira, 04 de Agosto de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre

Brasil O INSS proíbe funcionários de falar para a imprensa sobre a reforma da Previdência

Compartilhe esta notícia:

Perícias médicas para segurados afastados do trabalho por acidente ou doença deverão ser mantidas. (Foto: Divulgação)

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) baixou uma circular desautorizando que seus funcionários se manifestem publicamente para a imprensa a respeito da reforma da Previdência. O ofício-circular nº 4 diz que esclarecimentos, orientações e informações sobre a reforma estão sob responsabilidade da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

“Destarte, ficam desautorizados a concessão de entrevistas e o fornecimento de informações sobre o tema no âmbito deste Instituto”, diz ofício assinado por Renato Rodrigues Vieira, presidente do INSS. O documento é direcionado a diretores, coordenadores-gerais, superintendentes regionais, gerentes-executivos, gerentes de postos de atendimento, bem como procurador-chefe, auditor-geral e corregedor-geral.

Segundo o texto, solicitações de entrevista ou pedidos de informação de veículos de imprensa sobre o assunto deverão ser encaminhados à assessoria de comunicação da secretaria especial, por intermédio da assessoria do INSS. “Aproveita para esclarecer que esta orientação tem por objetivo uniformizar a comunicação sobre a matéria”, concluiu Vieira.

A Secretaria Especial de Previdência disse que, por se tratar de ofício do INSS, caberia ao instituto responder questionamentos da reportagem. A assessoria do INSS disse que o ofício foi enviado aos servidores “com o intuito de otimizar os fluxos e demandas de imprensa sobre o tema”.

Nos bastidores, o entendimento é de que o instituto é um mero executor das regras, não cabendo a ele debater a definição de políticas de seguridade social. Segundo advogados e especialistas em Previdência ouvidos pela Folha, a medida não é comum, mas é legal e até pode ajudar a conter a desinformação sobre o assunto. O Sinsprev (Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Públicos em Saúde, Previdência e Assistência Social no Estado de São Paulo) repudia a decisão.

“Entendemos como um tipo de censura, não só para os servidores, como também para a população em geral e os meios de comunicação, justo agora que começamos a debater a Previdência. O acesso primeiro para esse debate são os dados do INSS, que servem de base para uma série de discussões. Ao remeter para a Economia, não sabemos qual acesso de fato teremos a essas informações”, diz Thiago Alves Dias, diretor do sindicato. Segundo ele, o Sinsprev vai consultar seu departamento jurídico para ver se é possível reverter a decisão.

Roberto de Carvalho Santos, presidente do Ieprev (Instituto de Estudos Previdenciários), diz que os servidores do INSS cumpriram papel importante esclarecendo dúvidas técnicas à época dos debates em torno da proposta de reforma de Michel Temer.

Print Friendly, PDF & Email

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

O dono da Havan disse que o Brasil só vai andar quando pararem de fazer leis idiotas
A empresa aérea Azul assinou um acordo para comprar a Avianca Brasil com 30 aviões por 406 milhões de reais
Deixe seu comentário
Pode te interessar