Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 25 de setembro de 2015
Na manifestação mais contundente sobre os riscos que a Operação Lava-Jato corre, o juiz federal Sergio Moro disse em debate nessa quinta-feira, em São Paulo (SP), que processos abertos após as investigações podem prescrever se o sistema da Justiça criminal não mudar. “Há um risco, sim, de que esses processos caiam no esquecimento”, afirmou em almoço e debate organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), entidade dirigida por João Doria, pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo.
A declaração foi feita um dia depois de o Supremo ter decidido fatiar algumas investigações que começaram com a Lava-Jato. O magistrado, no entanto, se recusou a comentar a decisão do Supremo. Moro falou dos riscos quando fazia paralelos entre a Lava-Jato e a Operação Mãos Limpas, investigação que ocorreu na Itália entre 1992 e 1994, sobretudo, e revelou um cenário de corrupção que envolvia o pagamento de propina para fechar contratos com o governo e a distribuição do suborno para dois partidos (o Socialista e a Democracia Cristã). A Mãos Limpas investigou 4.520 suspeitos, dos quais cerca de 800 foram presos.
“Muitos dos ganhos da Operação Mãos Limpas foram perdidos com o tempo”, afirmou Moro, por causa da lentidão do sistema judicial italiano, uma das matrizes da Justiça brasileira. Segundo o juiz, 40% dos investigados pela operação italiana foram anistiados ou escaparam de punição porque seus crimes prescreveram.
Moro defende mudanças na legislação junto com os procuradores da Lava-Jato, como a redução das chances de um crime prescrever e a aplicação de pena de prisão a partir de decisões da segunda instância na Justiça – hoje são necessárias mais duas instâncias.
Corrupção
O juiz afirmou que os empresários, que compunham a plateia, têm uma função essencial no combate à corrupção. “A iniciativa privada tem um papel importante em dizer não ao pagamento de propina”, disse. (Mario Cesar Carvalho/Folhapress)
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