Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de julho de 2020
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de cinco dias para o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, apresentar informações sobre as orientações do governo sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus.
Celso de Mello é o relator de uma ação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde (CNTS). A entidade contesta as orientações do governo, publicadas em um protocolo em 20 de maio pelo Ministério da Saúde. O documento libera no Sistema Único de Saúde (SUS) o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina até para casos leves de Covid-19.
As informações prestadas pelo ministro da Saúde poderão ser usadas pelo ministro do STF para decidir sobre o pedido de liminar da confederação.
A CNTS pede à Corte que, em decisão liminar (provisória), determine ao governo uma série de ações em relação ao uso dos medicamentos no combate ao coronavírus. Entre essas medidas, estão:
– que autoridades do governo federal não tomem medidas de enfrentamento à pandemia que contrariem as orientações científicas, técnicas e sanitárias das autoridades nacionais (Ministério da Saúde) e internacionais (Organização Mundial da Saúde);
– que as autoridades do governo federal se abstenham de recomendar o uso de cloroquina e/ou hidroxicloroquina para pacientes acometidos de Covid-19 em qualquer estágio da doença, suspendendo qualquer contrato de fornecimento desses medicamentos;
– que o governo pare de divulgar ou retire da internet e redes sociais orientações ou recomendações de cloroquina e/ou hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19 em qualquer estágio da doença;
– que o governo publique, na página do Ministério da Saúde e no perfil da Secretaria de Comunicação em uma rede social, a seguinte frase: “As evidências científicas mais recentes comprovam que a cloroquina e hidroxicloroquina não têm qualquer efeito no tratamento de pessoas com Covid-19 e ainda podem piorar os efeitos da doença, aumento a taxa de mortalidade”.
Envio
O presidente Jair Bolsonaro disse, em live na noite desta quinta (2), que atenderá pedido de médica de Porto Seguro na Bahia, e enviará 40 mil doses de cloroquina para a cidade.
A médica Raissa Soares ganhou notoriedade nas redes sociais após defender uso da cloroquina para tratamento da Covid-19. Uso do medicamento não tem eficácia comprovada. Na última terça-feira (30), a médica publicou um vídeo no Facebook em que pede ao presidente Bolsonaro para enviar o medicamento para Porto Seguro.
“Eu nunca recebi tantos vídeos no meu telefone. Raíssa Soares fazendo um apelo para mim para que chagasse a ‘hidrocloroquina’ na sua cidade. Sabemos por testemunho que o tratamento na fase inicial tem tido sucesso. Hoje já partiu de São Paulo um avião para Salvador e está previsto chegar amanhã 40 mil doses de ‘hidrocloroquina'”, afirmou Bolsonaro.
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