Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de agosto de 2019
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta quarta-feira que, diante da necessidade de alguns pacientes acometidos por crises convulsivas de difícil tratamento, o ministério da Saúde é favorável à importação e ao registro de medicamentos à base de canabidiol, composto encontrado na maconha. As informações são do jornal O Globo.
“O que nos pauta na questão do medicamento é colocar um arsenal medicamentoso à disposição dos profissionais que entendem ser necessário para os seus pacientes. E as evidências são basicamente para crises convulsivas reentrantes, que são aqueles pacientes que não controlam suas crises com os medicamentos anticonvulsivantes. São duas síndromes que têm boa evidência científica, e basicamente em toda a literatura o canabidiol mostra algum benefício”, disse Mandetta.
Demanda restrita
Segundo o ministro, como a demanda por medicamentos à base de cannabis é restrita, não faz sentido produzi-los aqui no Brasil, ainda que o ministério esteja ouvindo diversas entidades médicas e farmacêuticas para discutir o assunto.
“Como o número de pacientes (que precisa do canabidiol) é muito restrito, não é uma panaceia. Como o volume é pequeno, não justifica você fazer uma fábrica que vai ficar com um preço enorme para aqueles pacientes. Então, a gente acha que deve dar registro (para o canabidiol), que deve trazer a molécula, se puder importar, importa, mas não vê nenhuma razão para colocar um estoque enorme de THC (canabidiol) com os malefícios que o THC traz”, afirmou.
Importações controladas
Hoje, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera importações controladas de medicamentos a base de maconha, mas enfrenta forte resistência do ministro da Cidadania, Osmar Terra, que vem se opondo a pedidos entregues à Anvisa para o cultivo da cannabis no país.
Impactos
Por fim, Mandetta afirmou que, embora haja a possibilidade de autorizar plantios científicos da maconha para projetos de pesquisa, não está na pauta do Ministério da Saúde se debruçar sobre os impactos do uso recreativo da maconha.
“(Uso recreativo) isso não está na pauta. Para nós, da saúde, seria uma droga a mais para a gente lutar (contra). Quando você pega álcool, tabaco, que são legalizadas, a gente tem uma luta enorme pelos malefícios de ambas. O THC (canabidiol) de uso indiscriminado também vai ser mais uma droga que não acrescenta nada para a saúde do cidadão”, afirmou.
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