Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2020
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (3) que o Congresso vai dar todo o respaldo que puder à permanência do ministro da Saúde, Luiz Mandetta, no cargo. Maia comentou a pressão de Jair Bolsonaro contra o ministro que o próprio presidente escolheu. Bolsonaro discorda das medidas de distanciamento social adotadas por Estados e municípios por orientação do Ministério da Saúde para evitar a propagação da epidemia de coronavírus. E na quinta-feira criticou Mandetta, dizendo que falta humildade ao ministro e que ninguém é indemissível. “Temos toda confiança e todo respaldo que o ministro da Saúde precisar na Câmara e no Senado”, disse Rodrigo Maia.
Na avaliação de Maia, o ministro tem conseguido enfrentar as dificuldades mesmo sendo desautorizado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.
Ele lembrou que Bolsonaro, quando escolheu Mandetta para ocupar o cargo, fez a escolha com base em critérios técnicos e não políticos e, por essa razão, esse conflito entre os dois não faz sentido.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico nesta sexta-feira (3), Maia disse que Mandeta tem atuado com respaldo técnico e científico.
“Toda vez que ele (Bolsonaro) vem a público criticar o ministro, mais atrapalha do que ajuda, mas o ministro tem toda paciência ou equilíbrio para fazer o que tem que ser feito. Ele tem todo meu apoio: como cidadão e como presidente da Câmara”, defendeu Maia.
“Não é uma gripinha, a gente precisa entender que é um vírus novo e devemos seguir a orientação do ministro e da OMS. Parece que o presidente é comentarista do seu próprio governo, e fica transferindo responsabilidade para os outros”, criticou.
Para Maia, demitir o ministro no meio do processo de enfrentamento da crise não seria razoável. “Ao mesmo tempo, ele (Bolsonaro) não tem coragem de tirar o ministro e mudar oficialmente a política (de combate à pandemia). Ele fica numa posição dúbia”, disse Rodrigo Maia.
Maia foi questionado sobre a possibilidade de impeachment de Bolsonaro em razão do isolamento político do presidente. Ele rechaçou o tema e disse que em seu radar só tem um assunto: superar a crise, salvar vidas, garantir os empregos e a solvência das empresas.
De acordo com Rodrigo Maia, a votação da proposta que segrega o orçamento, o chamado “orçamento de guerra”, mostra a grande contribuição do Parlamento para o combate à crise.
“A agenda política não tem espaço nenhum, essa agenda nos divide e pode criar uma crise institucional gravíssima. Não aceito tratar desse assunto”, disse Maia encerrando o assunto.
Aprovação
Questionado por jornalistas, Maia também comentou sobre a pesquisa publicada nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Datafolha que mediu a aprovação do presidente Bolsonaro e das políticas do ministério da Saúde no combate à pandemia.
Na pesquisa, a aprovação do Ministério da Saúde, comandado por Luiz Henrique Mandetta, chega a 76%; enquanto a de Bolsonaro está em 33%. O presidente da República e o ministro da Saúde tem entrado em conflito em razão das medidas a serem tomadas em razão do enfrentamento do coronavírus no País.
Para Rodrigo Maia, os índices mostram que a sociedade brasileira apoia o trabalho de Mandetta. “A pesquisa mostra a condução firme, objetiva, transparente e corajosa do ministro no comando da crise, e mostrando ao Brasil suas qualidades como gestor público”, disse. As informações são do jornal O Globo e da Agência Câmara de Notícias.
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