Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de abril de 2021
A oposição no Senado terá como prioridade na CPI da Covid o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e seus principais assessores, que parlamentares esperam convocar mais de uma vez para prestar esclarecimentos. Mas outro ex-ministro também entra na mira dos senadores: Ernesto Araújo.
Querem do ex-chanceler uma explicação sobre a diplomacia da vacina sob seu comando. O Planalto esperava que a demissão deles ajudasse a arrefecer os ânimos, e agora busca uma maneira de postergar o início dos trabalhos e reduzir danos na comissão.
“O ex-ministro de Relações Exteriores é um dos principais responsáveis pelas dificuldades que o Brasil tem hoje na obtenção de vacinas, pela política irresponsável que implementou, particularmente com a China”, disse Humberto Costa (PT-PE).
Também devem ser convocados o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, e o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten, responsável pela campanha publicitária “O Brasil não pode parar”.
Quem quiser uma dica de como devem ser as cobranças para cima de Pazuello na CPI é só ver o julgamento do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a gestão da pandemia sob o comando do general.
Ministros do tribunal apontaram omissões graves e senadores estão tomando notas.
Membros da CPI disseram ser importante ouvir também os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, para ter um testemunho da relação (ou intervenção) de Bolsonaro na pasta.
Os trabalhos da comissão devem começar na última semana de abril, o que trouxe alívio para assessores palacianos: ganham tempo para a chegada de vacinas. Este deve ser o mês com maior escassez de doses no País.
Integrantes
Do senador Renan Calheiros (MDB-AL): “Quanto mais demoram para indicar integrantes e para dar início à CPI, mais os trabalhos se aproximarão do período eleitoral. E depois, ainda vão reclamar da gente”.
O sonho de consumo do governo era Ciro Nogueira (PP-PI) na relatoria da CPI. Mas hoje é mais provável que o comando da comissão fique com a dobradinha Otto Alencar (PSD-BA) e Eduardo Braga (MDB-AM).
Primeira sessão
O senador Humberto Costa (PT-PE), um dos 11 titulares da CPI, afirmou que vai pressionar o presidente do Senado para que a primeira reunião do grupo aconteça na semana que vem: “Estou imaginando que vai ser na próxima semana, pelo menos a gente vai pressionar para isso”. Costa também disse que não vê motivo para que a eleição não seja virtual. “Não é necessário (eleição presencial). Por exemplo, a eleição de presidentes de comissões permanentes foi feita remotamente. Todas as comissões, até a Comissão de Constituição e Justiça, foi tudo remoto”.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, quer que a eleição para presidente da CPI aconteça de forma presencial. Caso o seu desejo seja atendido, haverá dificuldades para que a instalação aconteça na semana que vem. Por conta das duas sessões do Congresso e do feriado, os senadores teriam espaço para instalar a CPI a partir de quinta-feira (22), e teriam de mobilizar os 11 titulares para estarem em Brasília um dia após o feriado.
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