Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de junho de 2018
O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o arquivamento de um inquérito instaurado com base na delação da empreiteira Odebrecht contra o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). O inquérito investigava a suspeita de que o senador teria sido favorecido com um repasse via caixa 2 de R$ 400 mil à sua campanha ao Senado Federal em 2010.
O inquérito foi instaurado em 4 de abril de 2017. Em sua decisão, Barroso apontou que, esgotado o prazo para a conclusão das investigações, o Ministério Público, “ciente de que deveria apresentar manifestação conclusiva, limitou-se a requerer a remessa dos autos ao Juízo que considera competente”, no caso o Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Espírito Santo.
“Não é portanto razoável que, tendo se encerrado o prazo para a conclusão das investigações, sejam agora os autos baixados para a nova apreciação dos fatos, o que obrigaria o investigado suportar, indefinidamente, o ônus de figurar como objeto de investigação, impondo-se, assim, o arquivamento dos autos”, concluiu Barroso.
“A investigação se iniciou há mais de um ano. O investigado se mostrou, a todo tempo, extremamente colaborativo. Vencido o prazo para a conclusão do inquérito e suas sucessivas prorrogações, o Ministério Público entende não haver nos autos elementos suficientes à instauração da instância, na medida em que, até o momento, não ofereceu denúncia”, observou o ministro.
“Justiça feita”
Ferraço disse que sempre acreditou que a “Justiça seria feita”. “Eu sempre acreditei na minha inocência. Eu fui envolvido numa delação irresponsável, inconsequente, que nunca dialogou com a vida real, nem com os fatos. Foram muitos meses de um profundo sofrimento pessoal em ver o nome da gente, a imagem da gente exposta da forma mais violenta possível e graças a Deus esse processo chega ao fim com o STF determinando o arquivamento. Sempre acreditei que a Justiça seria feita”, disse o senador.
Polícia Federal
A PF (Polícia Federal) solicitou ao seu setor de perícias a realização de uma análise nos sistemas Drousys e o Mywebday dos bancos de dados da empreiteira Odebrecht. O objetivo é verificar supostos registros de pagamentos de propina aos presidentes do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em troca de benefícios em medidas provisórias no Congresso Nacional.
O ofício comunicando a realização das análises foi enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) pela delegada Graziella Balestra, que conduz as apurações do caso. As perícias também abrangerão outros supostos repasses ao senador Romero Jucá (MDB-RR) e ao deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), investigados no mesmo inquérito.
Com a medida, a PF busca comprovar se os pagamentos aos quatro políticos foram efetivamente realizados, conforme relatado nas delações premiadas de executivos da Odebrecht. A delegada frisou, em seu pedido, que deverão ser destrinchados pagamentos de R$ 2,1 milhões ao codinome Índio, “provavelmente relacionado à pessoa do senador Eunício Oliveira”, e de R$ 100 mil ao codinome Botafogo, “provavelmente relacionado à pessoa do deputado federal Rodrigo Maia”.
Dentre os alvos do trabalho está a identificação de mensagens internas da Odebrecht com os responsáveis por fazer a entrega dos recursos indevidos. A delegada solicita a identificação de quatro itens relacionados aos pagamentos de propina: negociações para realização do pagamento de valores em sistema de contabilidade paralela, previsões ou cronogramas, comprovação efetiva dos pagamentos realizados e tratativas para realização dos pagamentos dos valores, locais e senhas.
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