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Colunistas O mundo é plano… Mas Trump pode dobrá-lo

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Foto: Reprodução

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

No ano passado, tive a oportunidade de assistir em Lisboa, a uma palestra de Thomas Friedman, autor do best-seller O Mundo é Plano.

A clareza com que ele descreveu os efeitos da globalização, da interconexão tecnológica e da formação de uma nova ordem econômica mundial me pareceu, naquele momento, um caminho sem volta.

O mundo havia se “achatado”, como ele mesmo diz — tornando-se um ambiente onde fronteiras importam menos, e a colaboração entre nações é a chave para o desenvolvimento.

Friedman sustenta que, quanto mais os países estiverem inseridos nas cadeias globais de produção e valor, menor será a chance de conflitos armados e maiores serão as oportunidades de crescimento compartilhado.

Essa é a base da chamada “Teoria da Dell de Prevenção de Conflitos” — na qual a paz e a estabilidade global seriam consequência natural da interdependência econômica. Mas, de repente, surgiu Donald Trump. E com ele, a promessa de um Trump 2.0, ainda mais incisivo em sua tentativa de “reerguer” fronteiras e resgatar um modelo econômico baseado em soberania, protecionismo e isolamento estratégico.

A guerra comercial com a China, a retirada de acordos multilaterais, o desmonte de instituições globais e o incentivo ao retorno das fábricas aos EUA são parte de uma agenda que ameaça anular a teoria de Friedman na prática. Por isso, resolvi confrontar a tese com a realidade atual — e refletir sobre a mudança radical à qual a economia mundial está sendo induzida. Trump representa uma ruptura.

Ele não acredita que a interdependência seja benéfica — ao contrário, vê nisso uma fragilidade. Defende que os Estados Unidos devem depender apenas de si mesmos, mesmo que isso implique romper cadeias globais de valor, gerar instabilidade ou desacelerar o comércio mundial.

Enquanto Friedman vislumbra um mundo onde todos ganham ao cooperar, Trump aposta em um jogo de soma zero: para alguém ganhar, outro precisa perder. São visões de mundo profundamente diferentes, que hoje disputam espaço na geopolítica internacional.

O que me parece certo é que o mundo não está mais tão plano quanto Friedman previa. E diante da volta de Trump ao poder, a pergunta que fica é: será que o mundo continuará plano — ou estamos assistindo ao retorno de um mundo montanhoso, de blocos, fronteiras e muros? Essa é uma reflexão urgente para todos que acreditam no comércio, na integração e na diplomacia como caminhos de progresso.

*Jerônimo Goergen/Advogado

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Adalberto Meneguzzi
9 de abril de 2025 15:58

O problema é que, hoje, a China está dominando todos os processos produtivos com um custo muito baixo, levando para lá toda a produção mundial.
Estamos completamente dependentes dos produtos produzidos na China!
No momento em que ela achar que tal processo não tenha mais retorno ela, sozinha, ditará preços dos insumos importados e produtos acabados exportados.
Nesse momento, todos nós teremos nos arrependio de não termos agido antes!
Trump está completamente certo!

Denise Goulart de Munhós
10 de abril de 2025 16:18

A visão de Friedman é globalista, romanesca.

Denise Goulart de Munhós
10 de abril de 2025 16:20

A globalização da economia estava “evoluindo ” para chinanização da economia e Trump está tentando barrar isso.

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