Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de abril de 2021
Se o mundo levou mais de nove meses para chegar a um milhão de mortes por coronavírus e outros quase quatro meses para repetir a dose, bastaram exatos 92 dias para superar a marca pela terceira vez. Neste sábado (17), foram registradas 3 milhões de vidas perdidas em decorrência da doença desde o início da pandemia, em dezembro de 2019.
De acordo com dados da Universidade de Johns Hopkins, foram contabilizadas até a atualização mais recente 3.000.225 mortes em razão do coronavírus em todo o planeta. Embora os Estados Unidos liderem o ranking de óbitos e casos, países como Brasil e Índia, que lidam com recordes diários, estão entre os que mais impulsionam o número de vítimas da infecção em velocidade maior.
A marca de um milhão de vidas perdidas foi atingida em 28 de setembro do ano passado, mais de nove meses após o registro da primeira morte por covid na China, onde começou a pandemia. Na ocasião, havia uma aceleração da crise sanitária na Europa, estimulada principalmente pelo avanço de casos na França e na Espanha.
Depois, até o segundo milhão de óbitos, reportado em 15 de janeiro de 2021, passaram-se mais 109 dias – quase metade do tempo necessário anteriormente para chegar à casa dos sete dígitos. Pouco antes, os países mais assolados pelo coronavírus, entre eles EUA e Brasil, voltaram a verificar uma piora, com colapso do sistema de saúde.
Vacinação
Agora, apesar da campanha de vacinação, o período em que se totalizou outro milhão de vítimas foi ainda menor e aproximadamente um terço do que demorou para completar a marca inicial. De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, diretor do Hospital Universitário Clementino Fraga da UFRJ, embora seja difícil traçar uma comparação precisa entre os diferentes estágios da pandemia, o surgimento das novas variantes contribuiu para a disparada na mortalidade mundial.
“O vírus foi aos poucos passando de país para país. A expansão, se lembrarmos o primeiro semestre do ano passado, começou na China, depois foi para a Europa, EUA e, mais tarde, apareceu na América Latina. Obviamente, teve reflexo na mortalidade. A partir do momento em que todo mundo foi afetado, aí sim a gente começou a ter um aumento de casos e mortalidade”, explicou o infectologista. “As novas variantes aumentaram muito a disseminação na Europa, sobretudo no Reino Unido, o que levou a um número grande de óbitos. E agora a gente está vivendo isso no Brasil”.
Segundo Chebabo, a tendência daqui para frente é a desaceleração da mortalidade em virtude da ampliação da imunização no mundo. Ele projeta que no final do ano, quando começa o inverno no Hemisfério Norte, já tenha um controle maior, mas alerta que o impacto nos índices também depende do Brasil, atualmente o epicentro da Covid-19.
“Teoricamente, a tendência agora é começar a reduzir a mortalidade nos próximos meses. A Europa ainda menos, mas os EUA principalmente já vacinaram um número muito grande de pessoas. A gente aqui no Brasil contribui muito com essa mortalidade. Muito desse índice de óbitos teve influência da Europa, dos EUA no inverno deles e agora do Brasil”, disse o médico. “A expectativa é que a mortalidade no Brasil nos próximos dois ou três meses se mantenha alta, mas comece a cair com o progresso da vacinação, enquanto, nos EUA e na Europa, se controle caso eles consigam vacinar um maior número de pessoas”.
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