Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2020
Novo ministro da Saúde, Nelson Teich usou o Twitter pela primeira vez nesse domingo (19). O substituto de Luiz Henrique Mandetta agradeceu uma arte e os desejos de boa sorte de uma seguidora. Alguns seguidores aproveitaram a “estreia” do ministro na rede social para perguntar qual era a sua opinião sobre as manifestações e aglomerações que aconteceram em algumas cidades brasileiras. Teich não respondeu.
Em Brasília, o movimento começou a se intensificar na parte da tarde. Da rampa do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro acompanhou uma carreata de manifestantes que pedem o fim do isolamento social e a retomada de atividades comerciais. Ao lado do deputado federal Hélio Lopes, seu amigo pessoal, e de seguranças, o presidente acenou para os adeptos da mobilização. Carros fizeram um buzinaço para festejar a presença do mandatário.
Ele fez questão de divulgar as cenas da carreata por meio de transmissão ao vivo em sua página no Facebook. O presidente tem defendido com veemência a flexibilização da quarentena e atacado governadores sob argumento de que medidas restritivas são prejudiciais à economia e podem levar ao desemprego em massa.
Pontes
Divulgado pelo ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), o remédio dito promissor para tratar o coronavírus é feito com a substância nitazoxanida, hoje acessível nas farmácias com o nome Annita, medicamento produzido pela Farmoquímica. O estudo bancado pelo governo não empolga o seu laboratório farmacêutico de origem, que desenvolve paralelamente outra pesquisa em busca de resultados concretos no combate à pandemia da Covid-19. Durante anúncio da pesquisa na última quinta-feira (16), Pontes afirmou que não seria possível identificar o medicamento. Posteriormente, o colunista do UOL Diogo Schelp descobriu que se tratava do vermífugo Annita.
Sem informações conclusivas, o ministro disse que o medicamento obteve 94% de eficácia nas análises in vitro — uma etapa preliminar, pouco confiável, que antecede testes com animais. Por esse motivo, especialistas questionaram a validade das informações. Em entrevista ao UOL, o médico Vinícius Blum, da Farmoquímica, não se mostrou empolgado com o anúncio feito pelo ministro. Pelo contrário. Ele explicou que as pesquisas capitaneadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia são totalmente diferentes dos estudos que vêm sendo feitos pela empresa com a substância.
“A gente não conhece a iniciativa do Ministério e não estamos nesse estudo. Não fornecemos nenhum medicamento para esse estudo. (…) Para nós, essa iniciativa do Ministério é independente.” Em nota, a empresa reforçou posteriormente que o estudo desenvolvido por iniciativa própria “é independente e não tem qualquer relação” com o trabalho do governo. “A Farmoquímica desconhece o estudo em questão e, por isso, não se manifestou de maneira alguma a respeito do andamento da pesquisa científica do ministério.”
“As publicações na mesma data têm levado os canais de comunicação a interpretar que se tratava do mesmo estudo, o que não condiz com a realidade.” Blum destacou que não há interesse da empresa em estimular o uso do Annita. “Não há informação que o remédio seja eficaz e não estamos, de maneira alguma, estimulando ninguém a usar Annita para o tratamento de Covid-19.”
Os comentários estão desativados.