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Brasil “A prisão de Lula pode ser o desejo de muitos, mas isso não vão assistir”, disse o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo

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Luiz Marinho disse que o partido não pode ficar de "braços cruzados" diante do Judiciário. (Foto: Reprodução)

Nessa quinta-feira, o e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e presidente estadual do partido, Luiz Marinho, disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não irá para a cadeia. “A prisão pode ser o desejo de muita gente, mas não vão assistir”, afirmou. “Se o Poder Judiciário tirou as coisas dos eixos, o que vamos fazer? Ficar de braços cruzados? Estão querendo botar fogo no País. Depois não venham dizer que somos culpados.”

O tom de revolta com a condenação de Lula marcou a reunião da Executiva Nacional do PT, um dia após a pena do ex-presidente ser ampliada, pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), para 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

Também presente no evento, o líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), João Pedro Stédile, deu o seu recado. “Aqui vai um recado para a dona Polícia Federal e para o ‘Seu’ Poder Judiciário: não pensem que vocês mandam no País. Não aceitaremos de forma nenhuma e impediremos que Lula seja preso. Esse é o nosso compromisso”.

Os ataques ao TRF-4 foram feitas por todos os participantes do encontro da legenda. “Aquele julgamento de ontem foi absolutamente coerente com o que acontece hoje no Brasil, onde o sistema jurídico é o pilar do fascismo”, criticou o deputado Wadih Damous (PT-RJ), que é advogado.

Desafio

Um dia depois de ser condenado pelo TRF-4, Lula declarou que não respeitará a decisão da Justiça. Em um ato político que aprovou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, nessa quinta-feira Lula conclamou os militantes a uma ofensiva nas ruas para defendê-lo e pregou o enfrentamento político.

“Esse ser humano simpático que está falando com vocês não tem nenhuma razão para respeitar a decisão de ontem”, afirmou o ex-presidente, em reunião da Executiva Nacional do PT. “Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei , mas quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar. Senão perderei o respeito da minha neta de 6 meses, dos meus filhos e perderei o respeito de vocês.”

Lula chegou a se comparar a Jesus Cristo, ao afirmar que o filho de Maria e José foi condenado à morte sem provas. “Jesus Cristo foi condenado à morte sem dizer uma palavra, recém-nascido. E, se o José não corre, ele tinha sido morto. E olhe que não tinha empreiteira naquele tempo, não tinha Operação Lava-Jato”, disse. Logo em seguida, o ex-presidente se corrigiu: “Eu sei que a imprensa vai dizer ‘Lula se compara a Jesus Cristo’. Longe disso”.

Com a voz embargada em alguns momentos, o ex-presidente fez questão de destacar que retomará as caravanas pelo Brasil, depois do Carnaval, mas conclamou o PT e os movimentos sociais a ajudá-lo no embate nas ruas. “Espero que a candidatura não dependa do Lula. Que vocês sejam capazes de fazê-la, mesmo se acontecer alguma coisa indesejável, e colocar o povo brasileiro em movimento”, insistiu.

O PT lançou a pré-candidatura de Lula à Presidência em reunião de sua Executiva como uma forma de mostrar que não aceitará o que chama de “julgamento político”. O partido vai recorrer da sentença do TRF-4, mas sabe que, como a decisão foi tomada por unanimidade pelos três desembargadores, a chance de reverter o quadro é remota.

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